segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ALDIR BLANC, SOBRE A OFENSIVA FASCISTA

Saiu no Tijolaço

A escória em ascensão, por Aldir Blanc

mafaldablanc
O desabafo do genial compositor Aldir Blanc, publicado em O Globo:
O Tríduo, cada vez mais estúpido, foi redimido pela força de Maria Bethânia. No geral, um desfile cheio de bobeiras, mas Bethânia enobrece tudo. Houve corrupção, jurados patifes, “musas” desvairadas, mulheres jacas e maracujás de gaveta explodindo botóx e idiotices. Pareciam noites de Walpurgis, nas quais bruxas de bundas encaroçadas (mulheres frutas-de-conde?), pretensas fêmeas esculpidas lembrando halterofilistas ucranianos, avacalhavam a tradição. Faz tempo não vejo tanta mulher feia. A síntese dessa miséria é a Peladona da Peruche, uma baranga socialite que rasgou a fantasia e foi atirada à margem do caminho. Ela também é considerada “musa das manifestações”, o que explica o vexame. No dia seguinte, indo pra vovó, sob o “efeito de remédios”, o sol derreteu a vampira. A verdade: uma sub-BBB, com nível intelectual abaixo de zero. Tivemos também a vaca louca racista que invadiu o Fla-Flu. Quer ter o rótulo Rosconaro no sobrenome. Em redes sociais queria que “os crioulos voltassem para a África”. Esse é o tipo de escória que está em ascensão, como aquele membro de família corrupta que atacou Chico Buarque, e depois, bêbado, lambia Ronaldo, o Fenômeno. Fico me perguntando como é possível alguém querer magoar, ferir, Taís Araújo. Quando vejo na TV essa mulher de sonho, só penso em ficar de mãos dadas, pedir colinho. Aquelas falsas musas não representam a extraordinária luta da mulher brasileira, tão bem destacada recentemente no libelo de Isabel Diegues.
Mudando de assunto, pobres refugiados sírios! Vi um barco de borracha no alto de uma onda gigante com os futuros afogados. Quando não morrem no mar, levam chutes e socos, ficam presos no arame farpado, são explodidos por jatos das democracias liberais, ou voltam a nos assombrar como os esqueletos dos campos de concentração. O Horror retornou. Com a queda de popularidade dos que pretensamente os apoiavam — mamães viraram madrastas —, os refugiados já não podem nem mais ir à Merkell de barquinho.
Falei em Fla-Flu, mas o jogo é Fla-Fla, só um time joga, dá pontapés. O resto apanha. Não acontece nada com os crapulosos tucanos. Podem roubar durante décadas nos trens de São Paulo, comprar votos, se meter em negociatas de um bilhão de dólares com refinarias argentinas e até roubar na merenda escolar. Também podem, sendo políticos drogados de alto bordo, espancar mulheres, pois não serão queimados como outros. Vai dar pizza com Samarco e a privada Vale. São frutos tucanos. Eles podem até mesmo pretextar uso político quando são comprometidos em pensões e compras de apês na Europa para filhos — ou não —, fora dos casamentos exemplares, cujas mães foram perseguidas. O sub-relator da CPÍnfima do BNDES, o tucano Alex Baldy Cheio de M quer prender o Lula. Se ele for criminoso, tudo certo, mas, em nome da decência, prendam o Azeredo, a quadrilha no Paraná, os espancadores de esposas que são candidatos à Presidência da Ré-pública.
Não tá tranquilo nem confiável, Bin Laden. Tá Samarco e ChicunCunha.

NA SEMANA DOS CRISTAIS QUEBRADOS

Bom artigo do Paulo Henrique Amorim. Há muita munição contra a ditadura dos coxinhas pela qual trabalham o juiz, o MP e a PF da Lava Jato.

Moro, PF e MP, lambuzem-se!

O Presidente FHC já tinha mandado o Moro para a Vara do De Sanctis​
publicado 26/02/2016
capa carta
O próximo Presidente da Republica será o Lula, ou quem ele indicar, porque tucano não será!

Nem com a grana da Chevron (ou da Shell).

Seja quem for o próximo Presidente da Republica, vai acabar a sopa dos Golpistas instalados em Curitiba, no Ministério Público (estadual de São Paulo e no MPF do Janot) e na Polícia Federal do .

Nenhum, NENHUM Presidente eleito pelo povo vai coonestar essa tresloucada subversão de princípios e valores, o protagonismo desses cruzados de pé rapado, que falam com Deus e o PiG para rasgar a Constituição e a presunção de inocência.

Em nome do combate à corrupção – no PT!

Qualquer presidente da República eleito pelo povo vai botar um chefe na Polícia Federal.

Polícia sem chefe é polícia de regime totalitário.

Em que mata-mosquito vira agente da Lei!

Qualquer Presidente da República eleito pelo povo vai acabar com esse ritual de cartas marcadas de escolher o Procurador Geral da República para ferrar o PT e só o PT!

Esse balé de trocar seis por meia dúzia, Rangel por Janot – para esconder Aecím em Furnas e Demóstenes na cachoeira.

Qualquer Presidente eleito pelo povo vai mudar a lei que deu ao MP o poder de um DOI-CODI do regime  sub-democrático.

Procurador é da República.

E não dos tucanos e do PiG!

Esse dispositivo constitucional, esse monstro, como disse seu criador, o Sepúlveda Pertence, o MP vai mudar em três dias de um novo Governo eleito pelo povo.

Pelo povo, sem vergonha de ter sido eleito pelo povo!

E o Moro?

Quem disse que um Presidente eleito povo se permitirá conviver com um Imperador de Província que resolve corroer a Segurança Nacional, desmontar a Petrobras - para que o Cerra e o Renan a vendam à Chevron a preço de Vale - e, mais recentemente, para ferrar o PT e só o PT, fechar as ferrovias do país!

O Moro agora quer fechar a Ferrovia Norte-Sul!

A Ferrovia Oeste-Leste.

E o porto de Ilhéus, para desespero do Nacib, coitado… além de corno, mais essa!

Qualquer dia desses o Moro vai fechar os aeroportos de Guarulhos e Brasília, porque o Marcelo Odebrecht pousava lá com o jatinho que roubou do  Tasso Jerissaiti!

Moro é incompatível com um regime de Democracia.

(Veja a Lei “Bye-bye Moro”, de autoria do valente Wadih Damous) 

NENHUM, NENHUM, NENHUM Juiz do mundo civilizado pode acumular e exercer, irrestritamente, impunemente, irrecorrivelmente o poder que o Moro detém.

Nem um presidente tucano – que não será eleito… - poderia conviver com o Moro.

Um presidente tucano removeria o Moro para o Tribunal dos Velhinhos, como fizeram com o bravo Fausto De Sanctis.

O Presidente tucano tomaria posse no dia 1º de janeiro e o Moro já passava o Carnaval cuidando da titia do Richa.

E como resolver isso?

Com o voto popular!

Com a autoridade construída na soberania do povo para submeter o Moro, os delegados aecistas e os Procuradores às regras da subordinação e do interesse nacional.

Pergunta ao Fernando Henrique se no Governo (sic) dele existiria um Daiello na PF, um Janot na PGR ou um Moro em Curitiba.

Quá, quá, quá!

Só agora, hoje, quando não prevalece a soberania popular!

Quando se fala em “republicanismo”, “preservar  governabilidade” e, por isso, dar a Petrobras à Chevron e a PF aos tucanos!

Um presidente eleito pelo povo vai restabelecer os princípios originais do Conselho Nacional de Justiça, com poderes sobre o Supremo!

Quando o CNJ quis, o conselheiro Joaquim Falcão, hoje incorporado ao corpo ideológico do PiG, destituiu um Juiz que tinha um negócio paralelo no ramo da Educação!!!

Lembra disso, Joaquim?

Moro, a PF, Procuradores e Promotores de todo o país, lambuzem-se!

Prendam todos os petistas.

Vendam a Petrobras, a Eletronuclear, tranquem as ferrovias.

Entreguem a chave ao Trump.

Levem os inimigos para celas com grampo.

Destruam a reputação dos que lhe fazem concorrência.

Condenem os desafetos no jornal nacional.

Mudem os planos de carreira.

Garantam todas as promoções.

Aumentem os salários.

Antecipem a aposentadoria.

Porque essa sopa vai acabar.

Essa ditadura montada nas costas do jornal nacional não sobreviverá à eleição de 2018!

E o jornal nacional?

Na manhã do primeiro dia em que o novo governante sentar naquela cadeira, o monopólio da Globo será questionado.

Nenhum Presidente eleito pelo povo vai tolerar, mais, co-governar o Brasil com o Gilberto Freire com “i”.

A Globo sabe disso.

A Globo foi quem mais se beneficiou de quatro mandatos presidenciais do PT.

Locupletou-se!

Lambuzou-se!

A sopa acabou, rapaziada.

Lambuzem-se, enquanto é tempo! 


Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

COMO FUNCIONA A LAVA JATO

Matéria do Blog do Miro

Lava-Jato tem calendário eleitoral

Por Geraldo Galindo

No dia 17 de janeiro, alguns sites e jornais publicaram uma matéria que seria uma espécie de balanço da Operação Lava Jato e suas perspectivas futuras, feita por promotores do Ministério Público, que se reuniram em Brasília no dia 14 do mesmo mês. Um dado importante que chamou a atenção e com pouca repercussão foi o prazo estabelecido para o encerramento da força-tarefa: mais três anos, terminaria em janeiro de 2019, segundo os procuradores.

A data prevista para o suposto fim da operação é exatamente o prazo final de duração do mandato da presidenta Dilma, ou seja, os setores da Justiça, do MP e da Polícia Federal, a serviço de interesses escusos e partidários, definiram que se não derrubarem o governo durante o mandato, não darão trégua durante todo o período da gestão, para inviabilizar qualquer tentativa de estabilização da crise política e econômica que o país atravessa.

Daí ser necessário deixar claro que a Lava Jato tem um calendário político eleitoral bem planejado, a ideia é sangrar os partidos da esquerda e da base do governo, especialmente o PT, desmoralizar o presidente Lula e preparar o terreno para o retorno das forças reacionárias e entreguistas ao comando do país. Devemos lembrar que os liderados do nebuloso juiz Sérgio Moro tentaram interferir, sem qualquer escrúpulo, para mudar o cenário da eleição 2014 em favor do candidato Aécio Neves, para quem faziam campanha aberta nas redes sociais. Na semana do pleito, criminosamente, vazaram depoimentos seletivos para colocar a candidata Dilma em situação de imensas dificuldades. Ela teve que desmentir em curto espaço de tempo as calúnias veiculadas pela mídia, que transformou um factó ;ide forjado num escândalo de grandes proporções.

Derrotados na eleição, desde o início do mandato, a oposição tem suas esperanças em promover um golpe de estado no Brasil a partir da colaboração da equipe do juiz de camisas pretas. Durante um ano e dois meses a honrada presidenta Dilma tem feito esforços cotidianos para superar a crise que se arrasta, mas em todos os momentos em que consegue alguma relativa calmaria, os conspiradores do Paraná entram em ação. A prisão recente de João Santana é só mais um exemplo da execução do plano da oposição de não dar trégua e colocar o governo contra a parede. 

No momento em que a tese do impeachment tinha perdido o fôlego após a articulação política do governo ter alcançado vitórias importantes, era esperado que a tropa de choque da oposição instalada no aparato do estado entrasse em cena com uma espetaculosa operação. Na semana em que o PSDB se via em dificuldades por conta de seu principal expoente ter sido desmoralizado por usar concessionária do governo para pagar pensão a ex-amante; e quando este mesmo partido é flagrado desviando recursos da merenda escolar em São Paulo, não era aceitável para Moro e seus seguidores a manutenção de um ambiente desfavorável para se us correligionários.

Já são 23 operações da Lava Jato realizadas em dois anos, quase uma por mês. Se a República de Curitiba planeja mais três anos de atividades, podemos supor que, mantida a média, teremos pelo menos 36 outras. Estas operações atravessariam a campanha eleitoral deste ano e a de 2018, período em que Sérgio Moro teria a liberdade de orquestrar seus planos de atacar os adversários e proteger os aliados, transformando o país num estado de exceção legitimado pela mídia e com o silêncio do governo. 

Após a reunião acima citada, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fez a seguinte declaração à imprensa: " Ante o material que já obtivemos é possível dizer que em 2016 teremos inúmeras operações e não deve haver diminuição no ritmo de trabalho em relação aos anteriores". Este mesmo procurador fez questão de dizer na oportunidade que o alvo deles a partir de agora seriam os partidos políticos (entenda-se PT e aliados).

O Brasil é hoje um dos raros países do mundo em que um juiz, levando em conta suas posições político-ideológicas, prende e humilha pessoas ao seu bel prazer. Na verdade estamos vivendo uma ditadura de um senhor que tem plena liberdade para subverter a ordem jurídica ao prender e execrar antes de julgar. Se o preso se transforma em delator para denunciar o PT ele tem penas brandas ou é liberado. Se ele denuncia membros da oposição, é ignorado e tem penas severas. 


O juiz que prende a cunhada do tesoureiro do PT e a esposa do marqueteiro da campanha de Dilma é o mesmo que mantém livre a esposa de Eduardo Cunha - seu aliado na oposição ao governo -, que comprovadamente gastou recursos de propina vindos de nebulosas operações na Petrobrás. Não que ela deva ser presa arbitrariamente, pois todos os acusados, a princípio, devem responder a processos em liberdade, mas apenas para demonstrar a imparcialidade e a conduta partidária dos carrascos do Paraná.

O programa do PT veiculado no dia 23 de fevereiro fez críticas veladas à oposição que patrocina os ataques ao estado de direito. Mas não deram nomes aos bois, não disseram quem são os responsáveis pela tentativa do golpe em curso. Usaram "eles" sem especificar quem são eles. Após a prisão de João Santana alguns blogs divulgaram que o governo teria se incomodado com o juiz Sérgio Moro, que estaria sendo visto no Planalto como o "braço jurídico do PSDB" na armação do golpe. Ora, desde o início da Lava Jato está claro para os que têm um mínimo de discernimento, que os vendedores de vazamentos seletivos operam partidariamente.

As recentes conquistas democráticas do Brasil correm perigo. Práticas comuns em ditaduras estão a ocorrer sem cerimônias ou constrangimento, sempre apoiadas e sustentadas pela grande mídia. A esquerda brasileira e os movimentos sociais têm a obrigação de denunciar com toda ênfase esse esquema perverso de perseguição política, incrustado no judiciário, MP e na Polícia Federal, e ao mesmo tempo exigir punição rigorosa aos corruptos, seja de que partido for, garantindo amplo direito de defesa a todos.

* Geraldo Galindo é da direção estadual do PCdoB - Bahia.

A LIDERANÇA FASCISTA AVANÇA

Onde o fascismo toma o poder, sempre contou com parcelas dos aparelhos de Estado. O avanço da direita no Brasil, que já limita as garantias democráticas de pessoas e entidades de esquerda, também. Veja este relato de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania. Próxima terça-feira dia primeiro de março podemos acompanhar o que está anunciado.


Confira prova de que Lava Jato e mídia formam uma polícia política

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moro globo

No post anterior, o Blog antecipou que divulgaria provas de que um conclave ilegal foi formado por órgãos de controle do Estado e por entes privados com a finalidade exclusiva de caçar petistas – e só petistas – em um processo golpista e literalmente ditatorial.
A partir daqui, o leitor receberá prova inquestionável de que a Operação Lava Jato (entenda-se, o juiz Sergio Moro, o Ministério Público e a Polícia Federal) atuam em simultaneidade com grupos privados de comunicação para desmoralizarem o Partido dos Trabalhadores, o governo Dilma Rousseff e, acima de todos esses, o ex-presidente Lula.
Sem mais delongas, portanto, vamos aos fatos.
Na última terça-feira (23), uma fonte procurou o Blog afirmando que na próxima segunda (29) ou na próxima terça-feira (30) será deflagrada a 24a fase da Operação Lava Jato. Nessa fase, serão quebrados os sigilos fiscal e bancário de 43 pessoas e entidades.
Supostamente, essa operação deveria ser sigilosa. As investigações da Lava Jato correm em segredo de Justiça. Nenhum ente privado deveria ter acesso aos próximos passos da operação. Essa é a teoria. Porém, a prática é outra.
A fonte desta página provou ter informações privilegiadas de que na nova fase da Lava Jato serão quebrados os sigilos de Lula, de Marisa, de todos os filhos deles, de suas empresas, do Instituto Lula, da empresa de palestras de Lula, de Fernando Bittar etc.
O mais estarrecedor, porém, foi a informação de que todos os veículos de uma dita “imprensa simpatizante” (como são conhecidos na Lava Jato os veículos que cumprem determinações dos investigadores no sentido de fustigar petistas) já dispunham de cópia da decisão de Moro quebrando o sigilo das 43 pessoas e entidades que o leitor irá conhecer em seguida.
Pedi à fonte que me enviasse a cópia. Travou-se, então, o seguinte diálogo:
[23/2 23:08] ‪+55 41 ‬: É isso. Pode fazer chegar as suas fontes no instituto?
[23/2 23:09] Eduardo Guimarães: Me manda a decisão.
[23/2 23:09] ‪+55 41 ‬: Não posso, coloco em risco a fonte.
[23/2 23:10] Eduardo Guimarães: Se tantos jornalistas têm não há por que
[23/2 23:10] ‪+55 41 ‬: Posso ditar a decisão, se quiser.
[23/2 23:10] Eduardo Guimarães: Copia a parte do texto sem timbre
[23/2 23:11] ‪+55 41 ‬: Colocaram códigos em cada cópia para rastrear quem vazar
[23/2 23:11] ‪+55 41 : Se eu puder falar ao fone eu leio a decisão pra vc. É uma lauda.
[23/2 23:12] ‪+55 41 ‬: Posso ler aqui no zap. gravar
[23/2 23:12] Eduardo Guimarães: Pode gravar um áudio? Isso
[24/2 23:12] ‪+55 41 ‬: O que acha?
[23/2 23:12] ‪+55 41 ‬: Sim.
[24/2 23:12] Eduardo Guimarães: Isso. Grava
[23/2 23:13] Eduardo Guimarães: Se tiver número de processo. Dá todas as informações possíveis
[23/2 23:14] ‪+55 41 : Vou pra rua gravar. Na rua não tenho web. Então vc vai receber em mais ou menos meia hora. Ok?
[23/2 23:15] Eduardo Guimarães: Ok
Enviado pelo UOL Mail Android
Como se vê, são informações sigilosas que agentes do Estado estão repassando a entes privados (grupos de mídia) de forma absolutamente ilegal e com a finalidade de montar um esquema publicitário para atingir investigados à margem da lei.
O que dirá o STF, por exemplo, sobre esses métodos do juiz Sergio Moro?
Chegamos, portanto, ao ponto de comprovar o que está sendo dito acima. A partir daqui o leitor poderá ler a degravação do áudio enviado pela fonte com todos os dados da decisão do juiz Moro, inclusive com o número da decisão.
DEGRAVAÇÃO
— Essas pessoas e entidades deverão ser alvo da fase 24 da Lava Jato, que deve ser detonada na próxima segunda ou terça
–Continuando. Encerrado aqui. Expediu ofício, etc., etc. A quebra de sigilo inclui todos os dados sobre as contas e transações inclusive a origem do crédito e destino do débito. Outras informações, aqui, orientação ao MP pra implementar a quebra, Receita, comunicação à autoridade policial… Datado de 23 de fevereiro de 2016. Sergio Fernando Moro…
— Decisão 5005896-77.2016.404.7000
— Datada de 23 de fevereiro de 2016
— Sessão judiciária do Paraná. 13a
— Vara Federal de Curitiba.
— Pedido de quebra de sigilo de dados bancários, fiscais e/ou telefônicos.
— Requerente: Ministério Público Federal
— Acusado: Luiz Inácio Lula da Silva e seguem-se mais ou menos 40 nomes. A partir daí o juiz [Moro] passsa a detalhar o pedido. Vou agora ao deferimento, que é o que interessa.
— Defiro o requerido e decreto a quebra do sigilo bancário e fiscal de:
LILS palestras, eventos e publicações (período 2011 a 2016)
Instituto Luiz Inácio Lula da Silva (período 2005 a 2016)
Luiz Inácio Lula da Silva (período 2003 a 2016)
Marisa Letícia Lula da Silva (período 2003 a 2016)
Fábio Luiz Lula da Silva (2004 a 2016)
G4 entretenimento e tecnologia digital (2004 a 2016)
BR4 participações ltda (2004 a 2016)
Game Corp (2004 a 2016)
LLF participações (período de 2004 a 2016)
FFK participações ltda (2004 a 2016)
Sandro Luiz Lula da Silva (2007 a 2016)
Flex BR tecnologia ltda (2007 a 2016)
Luiz Claudio Lula da Silva (2011 a 2016)
Marcos Claudio Lula da Silva (2007 a 2016)
Fernando Bittar (2004 a 2016)
TV Araras ltda (2004 a 2016)
Costinha assessoria empresarial ltda (2004 a 2016)
M7 produções e comércio de equipamentos ltda (2004 a 2016)
Jonas Leite Suassuna Filho (2004 a 2016)
Editora Go ltda (2004 a 2016)
Imobiliária Zarpar ltda (2004 a 2016)
Go Games ltda (2004 a 2016)
Zapt comércio e serviços ltda (2004 a 2016)
Go [incompreensível] disco ltda (2004 a 2016)
Banco Banca consultoria e projetos ltda (2004 a 2016)
Go mídia participações ltda (2004 a 2016)
Go Mobile produtos e serviços de tecnologia da informação (2004 a 2016)
Go Clean projetos ambientais e energéticos ltda (2004 a 2016)
Imobiliária Go ltda (2004 a 2016)
PJA empreendimentos ltda (2004 a 2016)
Nipo Sistema representação e lançamento (2004 a 2016)
Paulo Tarcísio Okamoto (2004 a 2016)
Oca 2 consultoria e gestão empresarial (2004 a 2016)
Guadelupe comércio de roupas e assessórios ltda (2004 a 2016)
José Filipi Junior (2006 a 2016)
Instituto Diadema de Estudos Municipais (2006 a 2016)
AFC3 engenharia ltda (2006 a 2016)
Adriano Fernandes dos Anjos (2010 a 2011)
Ignes dos Santos Irrigarai Neto (2010 a 2011)
Fernandes dos Anjos e Porto Montagens de estruturas metálicas ltda (2010 a 2011)
Elcio Pereira Vieira (2010 a 2016)
Edvaldo Pereira Vieira (2010 a 2016)
***
Sobre os dois últimos nomes da relação, vale explicar que Elcio é o caseiro do sítio de Atibaia do qual acusam Lula de ser dono e Edvaldo é o irmão dele, que nada tem que ver com o assunto.
Segundo o instituto Lula, ambos foram procurados há poucos dias por quatro procuradores do Ministério Público. Os procuradores não tinham mandato, mas, assim mesmo, interrogaram os dois trabalhadores, que sentiram-se ameaçados.
A primeira grande pergunta que se faz, é a seguinte: quem, diabos, deu poder de polícia para Globos, Folhas, Vejas e Estadões para atuarem conjuntamente com o Ministério Público, a Polícia Federal e, acima de todos, com o juiz Moro?
A Globo, por exemplo, é alvo da Operação Zelotes e é acusada de sonegação de centenas e e centenas de milhões de reais em impostos. Como pode agir como polícia ao lado de Sergio Moro e sua trupe?
O número da decisão de Moro e a relação dos que terão os sigilos quebrados na 24a fase da Lava Jato, a ser desencadeada na semana que vem, comprova que dados sigilosos da Operação vêm sendo sistematicamente vazados para entes privados.
O esquema é tão sofisticado que os vazadores colocam códigos nas cópias que distribuem para saberem que veículo vazou antes da hora, se houver vazamento.
Surge, então, nova pergunta: qual é a finalidade de vazar uma decisão sigilosa da Justiça (com grande antecedência) para grupos privados de mídia? Seria para que fossem fustigando os alvos com matérias, deboches, acusações para que quando essa 24a fase da operação for desencadeada o público já esteja predisposto?
Eis o que o Blog chama de PPA, a Polícia Política Antipetista cujo único objetivo é acusar e prender petistas sem julgamento, sem condenação, em um show midiático com objetivos meramente políticos, dos quais o combate à corrupção passa longe, apesar da retórica.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

COMBATE A ROUBOS E DESPERDÍCIOS

Em meu curso de engenharia, feito várias décadas atrás, fiquei bastante impressionado com uma técnica simples de análise quando há vários problemas, técnicos ou econômicos: a curva ABC.

Corrupção, apesar do que dizem os coxinhas, não foi introduzido por políticos do PT. Aliás, a prática de agentes do estado cobrarem ou receberem dinheiro ou vantagens em troca de favorecer quem dá essa propina nem é o maior problema de um país como o Brasil. Só tem sido porque a ideologia propagada pela mídia assim determina.

Aí, eles invertem a curva ABC. Depois de terem, via privatizações, se apropriado baratinho de grandes empresas estatais, e de alimentarem o rentismo com as taxas de juros, os donos dos bancos e do Brasil querem atacar a previdência social. Como disse Amir Khair, em recente entrevista à Carta Capital:

 O barco está afundando, nós estamos a cada ano gastando mais e mais dinheiro com juros. No ano passado, foram 501 bilhões de reais com juros. Neste ano, será acima de 600 bilhões. O ministro da Fazenda está falando numa economia de 24 bilhões de reais de superávit primário, mas está gastando 600 bilhões em juros. A água está entrando no barco e o pessoal continua discutindo se não seria muito legal ter no futuro um barco muito melhor, mas enquanto isso, vai todo mundo para o fundo.


Por outro lado, merece um pirulito de fel quem afirmar que a corrupção endêmica vai minorar se os políticos do PT forem substituídos pelos dos partidos da oposição, ou pelas forças armadas, ou por pastores evangélicos. Todos os ladrões existentes devem ser punidos, os ladrões petistas são uma minoria ínfima tanto entre os ladrões da Petrobras, como entre os políticos ladrões do PSDB, PMDB, PP, DEM e outros, que têm parcelas bem maiores de corruptos em seus quadros. 

Tem que fazer a sério, e sem danificar ainda mais a democracia: não se pode passar acima da lei para catar apenas gente de esquerda, com base em delações "premiadas", enquanto malfeitos do PSDB, esses com provas mais que evidentes têm sido empurrados para debaixo do tapete nos últimos vinte e tantos anos. 

Estamos parcialmente (por ora) sob uma ditadura policial, midiática, do MPF e de setores do judiciário. As massas de reacionários que adotaram uma explicação distorcida e errada sobre os males do Brasil, seguindo o que lhes ditam a Folha, Veja, rede e Publicações Globo, Estadão. Eles não querem endireitar o Brasil (nunca estiveram): querem é meter a mão no poder e na bufunfa, mais ainda do que hoje.


UMA VERGONHOSA CAPITULAÇÃO

Do governo Dilma. Aos grandes irmãos do norte? Artigo de Marcelo Zero, na Rede Brasil Atual

Por que retirar da Petrobras a exclusividade na operação do pré-sal é ruim para o Brasil?

por Marcelo Zero*, do Brasil Debate publicado 25/02/2016 09:36, última modificação 25/02/2016 09:55
DIVULGAÇÃO/PETROBRAS
Petro
De nada adianta ter o domínio das reservas se a produção é ditada pelos interesses imediatistas das multinacionais
I- Porque ter a Petrobras como operadora única garante ao País o controle estratégico das reservas e da produção do óleo. Sem a Petrobras, perdemos essa garantia.
A experiência internacional demonstra que os países que são grandes exportadores de petróleo têm, em sua grande maioria, robustas operadoras nacionais de suas jazidas.
Hoje, cerca de 75% das reservas internacionais provadas de petróleo estão nas mãos de operadoras nacionais. Conforme previsão da Agência Internacional de Energia, a tendência é a de que essas operadoras nacionais sejam responsáveis por 80% da produção adicional de petróleo e gás até 2030.
Isso não é casual. Para dominar o mercado, os países produtores precisam dominar as reservas e controlar o ritmo e os custos de produção. O primeiro fator é assegurado pelo regime de partilha e o segundo fator é assegurado pela operadora nacional. A OPEP seria inviável sem o regime de partilha e sem grandes operadoras nacionais.
A operadora nacional é o complemento necessário ao regime de partilha. De nada adianta o país ter o domínio das reservas se a produção é ditada pelos interesses imediatistas de grandes operadoras multinacionais. Sem uma grande operadora, o país não tem controle efetivo sobre o ritmo da produção, sobre os seus custos reais e, consequentemente, sobre a remuneração efetivamente devida ao Estado.
Foi essa realidade que levou os grandes países produtores, nos anos sessenta e setenta, a nacionalizarem as jazidas e, ao mesmo tempo, constituírem robustas operadoras nacionais. Com isso, eles multiplicaram seus rendimentos, passaram a deter as informações estratégicas sobre as jazidas e os custos de exploração e dominaram o mercado mundial do petróleo.
Retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significa retroceder à lógica predatória e imediatista da época na qual o mercado era dominado por sete grandes companhias internacionais de petróleo. Uma época em que os países produtores sequer conseguiam saber os custos de produção de suas próprias jazidas. Significa, em última instância, renunciar à gestão estratégica de um recurso finito e não renovável.
Sem essa gestão estratégica, o Brasil poderá se converter em mero exportador açodado de petróleo cru, ao sabor dos interesses particulares e imediatistas de empresas estrangeiras, contribuindo para deprimir preços internacionais e deixando de investir em seu próprio desenvolvimento.
II- Porque o petróleo ainda será um recurso energético fundamental ao longo deste século.
Um dos principais argumentos que motivam os que querem enfraquecer a Petrobras tange ao suposto fato de que o petróleo deixou de ser um recurso estratégico, pois deverá ser substituído rapidamente por outras fontes de energia, particularmente as limpas e renováveis.
Segundo eles, a grande baixa atual do preço do óleo já reflete essa tendência e deverá ser permanente. Assim, teríamos de explorar o pré-sal de modo célere, com o auxílio de multinacionais, antes que se torne um ativo sem valor.
Ora, tal previsão não tem nenhum fundamento científico. A grande baixa dos preços do petróleo está obviamente relacionada à crise mundial, que contraiu conjunturalmente a demanda, bem como às disputas geopolíticas e geoeconômicas sobre o controle do mercado mundial, particularmente no que tange à viabilidade econômica do óleo de xisto. Há um claro processo de dumping em andamento, que contraiu artificialmente o preço do petróleo.
Esse dumping já começou a ser revertido, como mostra o recente acordo feito entre Arábia Saudita, Rússia e outros países, e a crise mundial não durará para sempre.
A maior parte dos analistas prevê que a demanda mundial por óleo subirá de 91 milhões de barris/dia, em 2014, para 111 milhões de barris dia até 2040. Tal demanda será puxada pelo crescimento dos países emergentes, em especial na Ásia, e pelas necessidades dos sistemas de transporte e do setor petroquímico. Observe-se que o petróleo não serve apenas para produzir gasolina e diesel. Ele é insumo para mais de três mil outros produtos.
Com isso, o preço do petróleo voltará a subir. O suprimento de energias renováveis crescerá, mas a transição para uma matriz energética inteiramente limpa será, sem dúvida, gradual.
Na realidade, o que os analistas afirmam é que as necessidades ambientais e climáticas impactarão mais o carvão, responsável por dois terços do estoque de carbono das jazidas minerais, que o petróleo e o gás, fontes mais limpas que esse mineral.
Obviamente, o atual ambiente de dumping produz grande pressão para que o Brasil venda rapidamente o pré-sal. Seria erro trágico. A venda nessas condições de preços artificialmente baixos renderia pouco no presente e comprometeria muito nosso futuro.
Devemos ter em mente o que aconteceu com a Vale. Na época de sua venda, com os preços do minério bastante baixos, diziam que o ferro já não tinha valor estratégico algum e que o futuro pertencia aos novos materiais sintéticos. Pouco tempo depois, os preços do minério dispararam e a Vale privatizada passou a faturar mais por ano que o preço aviltado de sua venda.
III- Porque a Petrobras tem totais condições de explorar o pré-sal.
Outro argumento muito usado nesse debate é o de que a Petrobras, fragilizada financeiramente, não teria condições de explorar o pré-sal.
Não é verdade.
Todas as grandes companhias de petróleo passam, em maior ou menor grau, por dificuldades econômicas ocasionadas pela conjuntura negativa do mercado. No caso da Petrobras, seu endividamento se deve também à necessidade de realizar os grandes investimentos imprescindíveis à exploração do pré-sal.
Contudo, a Petrobras, além de operar com lucro substancial, tem solidez financeira, pois está lastreada num fantástico ativo patrimonial: o pré-sal. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Óleo e Gás da UERJ, divulgada em 2015, o pré-sal contém 176 bilhões de barris, óleo suficiente para cobrir, sozinho, cinco anos de consumo mundial de hidrocarbonetos. Perto dessa riqueza extraordinária, a dívida atual da empresa é troco miúdo.
Não faltarão recursos para que a Petrobras continue a investir no pré-sal. O mercado financeiro nacional e internacional sabe muito bem que a Petrobras tem expertise, tecnologia e patrimônio para superar suas atuais dificuldades.
Sabe muito bem que, independentemente de seus detratores internos, a empresa tem tudo para gerar lucros e dividendos muito maiores que seus passivos. Ademais, o mundo dispõe hoje de fontes alternativas de financiamento, como a do Banco do BRICS, por exemplo, que podem ser acionadas de forma complementar.
A dívida da empresa poderia se tornar um grande problema, porém, na situação em que a Petrobras perca o acesso às jazidas, como querem os propugnadores do projeto que retira dela a condição de operadora única. Nesse caso, a empresa perderia seu lastro patrimonial e, aí sim, poderia se fragilizar ao ponto de não conseguir mais operar.
Em vez de simplesmente reduzir seus investimentos, como faz agora para se adaptar à nova realidade do mercado, a Petrobras poderia não ter mais como investir um centavo.
Na realidade, ao se retirar da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal poderia se conduzir a empresa à falência ou a uma inevitável privatização. Talvez seja esse um dos objetivos implícitos do projeto.
IV- Porque o País perderia todo o investimento feito pela Petrobras e a alta tecnologia por ela desenvolvida
Ao contrário de outras operadoras nacionais, que apenas se apropriaram de jazidas já provadas, a Petrobras, desde o início, teve de investir maciçamente, ao longo de décadas, em prospecção e desenvolvimento de tecnologia.
Com isso, ela se tornou uma das operadoras mais eficientes e lucrativas do mundo e conseguiu, a muito custo, produzir tecnologia de ponta na exploração em águas profundas e ultraprofundas.
A Petrobras é a empresa brasileira que mais gera patentes e ganhou, por três vezes, o OTC Distinguished Achievement Award, maior prêmio internacional concedido às empresas de petróleo que se distinguem em desenvolvimento tecnológico. Tal esforço inovador se espraia por áreas diversas, como Petroquímica, Engenharia Mecânica, Engenharia de Segurança do Trabalho, Medicina e Física, e repercute positivamente numa vasta cadeia produtiva.
Ora, todo esse esforço histórico, iniciado a partir da década de 1950 (quando se dizia que o Brasil não tinha petróleo), se perderia, caso a Petrobras perca, agora, a condição de operadora única do pré-sal. A inevitável e profunda fragilização da empresa que seria derivada dessa trágica decisão jogaria fora todo o investimento realizado em décadas de trabalho duro e o país perderia uma grande fonte de desenvolvimento tecnológico.
Não nos parece racional e justo que, após todo esse esforço, se dê de bandeja, sem nenhum risco e por um preço aviltado, os recursos do pré-sal a empresas que nunca fizeram investimentos de prospecção no Brasil e que não desenvolvem tecnologia no país.
V- Porque o Brasil perderia os instrumentos para conduzir a política de conteúdo nacional, consolidar a cadeia produtiva do petróleo e alavancar seu desenvolvimento.
A cadeia de petróleo e gás, comandada pela Petrobras, é a maior cadeia produtiva do país, responsável por cerca de 20% do PIB brasileiro e 15% dos empregos gerados.
Tal cadeia é sustentada por uma política de conteúdo nacional, que gera demanda robusta em setores-chave como o da construção civil pesada e a indústria naval, só para citar alguns poucos.
Ora, retirar da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal poderia implodir toda essa política e desarticular essa estratégica cadeia produtiva.
As empresas estrangeiras de petróleo normalmente contratam serviços no mercado internacional e importam insumos e bens em seus países de origem. Ao contrário da Petrobras, não têm compromisso algum com o desenvolvimento da indústria nacional brasileira.
Já a Petrobras, em seu Plano de Negócios e Gestão, previu investimentos de US$ 130,3 bilhões para o período de 2015 a 2019. Trata-se de mais de R$ 400 bilhões que serão investidos quase que totalmente no Brasil. Não podemos comprometer esses e outros investimentos, seguramente mais volumosos, que virão mais tarde, graças à exploração do pré-sal pela Petrobras.
Os recursos que a Petrobras investe e investirá para explorar o pré-sal são e serão fundamentais para alavancar o desenvolvimento do Brasil. Assim, retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significaria, em última instância, a destruição dessa alavanca única e o consequente comprometimento do nosso desenvolvimento.
VI- Porque o Brasil perderia futuro.
Por ser recurso finito e não renovável, o petróleo tem de ser gerido com perspectiva de longo prazo e com base na solidariedade intergeracional.
Foi essa visão que fez o Congresso Nacional aprovar a destinação dos royalties e participações especiais do petróleo para a Educação (75%) e Saúde (25%). Decidimos trocar recursos do presente para investir nas futuras gerações.
Temos de analisar a questão da Petrobras como operadora do pré-sal dentro dessa mesma visão estratégica.
A retirada da Petrobras como operadora única obedece a uma lógica de curto prazo: estamos numa crise e precisamos de dinheiro rápido para nos dar alívio financeiro. Se vendermos o pré-sal às multinacionais do setor, poderemos gerar uma receita que nos ajude a pagar juros da dívida, a fazer superávits primários e a equacionar desequilíbrios fiscais.
Já manutenção da Petrobras como operadora do pré-sal, com tudo o que isso implica, obedece a uma lógica de longo prazo: estamos em crise e, se alavancarmos nosso desenvolvimento com os recursos do pré-sal, não só contribuiremos para a sua superação, como criaremos as condições para o Brasil inicie um novo ciclo de crescimento mais sólido e duradouro.
Neste segundo caso, trata-se de cambiar a miragem liberalizante de curto prazo pela visão estratégica que assegurará futuro para as novas gerações de brasileiros.
No primeiro e trágico caso, trata-se de trocar o futuro pelo presente.
Retirar a Petrobras dos campos do pré-sal significa simplesmente vendê-los. E vender o pré-sal é vender futuro. E quem vende futuro já se perdeu no presente.
*Marcelo Zero é sociólogo, especialista em Relações Internacionais e membro do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

UMA ANATOMIA PARCIAL DO COXINHISMO

Do site Outras Palavras

América Latina: as bases sociais da nova direita

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Manifestante pró-impeachment faz selfie com policiais. Para Zibechi, classes médias “Já não têm como referência as camadas de profissionais que se formaram em universidades públicas; que liam livros e continuavam estudando ao encerrar suas carreiras”
Para explicar contra-ataque conservador, não basta culpar a mídia. É hora de examinar transformações da classe média e desarticulação dos setores populares
Por Raúl Zibechi | Tradução: Inês Castilho
Uma nova direita está emergindo no mundo e também na América Latina, região onde ela apresenta perfis próprios e uma nova e inédita base social. Para combater essa nova direita é necessário conhecê-la, evitar as avaliações simplistas e entender suas diferenças com relação às velhas direitas.

Mauricio Macri, [o atual presidente argentino], é bem diferente de Carlos Menem, [que governou entre 1989 e 99]. Este introduziu o neoliberalismo, mas era filho da velha classe política, a ponto de respeitar algumas normas legais e tempos institucionais. Macri é filho do modelo neoliberal e comporta-se segundo o modelo extrativista, fazendo da espoliação seu argumento principal. Não lhe altera o pulso passar por cima dos valores da democracia e dos procedimentos que a caracterizam.

Algo semelhante pode ser dito sobre a direita venezuelana. Trata-se de alcançar fins sem reparar nos meios. O modo de operar da nova direita brasileira diferencia-se inclusive do governo privatizador de Fernando Henrique Cardoso. Hoje os referentes são personagens como Donald Trump e Silvio Berlusconi, ou o presidene turco Recep Tayyip Erdogan, militarista que não respeita nem o povo curdo nem a oposição legal, cujas instalações e encontros são sistematicamente atacados.
Estas novas direitas têm Washington como referência, mas é de pouca utilidade pensar que atuam de maneira mecânica, seguindo as ordens emanadas de um centro imperial. As direitas regionais, sobretudo as dos grandes países e que se apoiam num empresariado local mais ou menos desenvolvido, têm certa autonomia de voo em defesa dos próprios interesses.
Mas a grande novidade são os amplos apoios de massas que conseguem. Como se disse, nunca antes a direita argentina havia chegado à Casa Rosada pela via eleitoral. Esta novidade merece explicações que não se esgotariam neste breve espaço. Tampouco parece adequado atribuir à mídia todos os avanços da direita. Que razões haverá para sustentar que os eleitores da direita são manipulados e os da esquerda são votos conscientes e lúcidos?
Há duas questões que seria necessário esclarecer antes de entrar numa análise mais ampla. A primeira são os modos de fazer, o autoritarismo quase sem freios nem argumentos. A segunda, as razões do apoio de massas, que inclui não só as classes médias, mas também parte dos setores populares.
Sobre as decisões autoritárias de Macri, o escritor Martín Rodríguez sustenta: O macrismo atua como um Estado Islâmico: sua ocupação do poder significa uma espécie de profanação dos templos sagrados kirchneristas (Panamarevista.com, 28/01/16). A decisão pelas demissões em massa apoia-se na firme crença das classes médias de que os trabalhadores estatais são privilegiados que recebem sem trabalhar. Por isso, o custo político dessa decisão terrível foi até agora muito baixo.
A comparação com os modos do Estado Islâmico soa exagerada, mas tem um ponto de contato com a realidade: as novas direitas chegam arrasando, tirando da frente tudo o que se interpõe no seu caminho, desde os direitos adquiridos pelos trabalhadores até as regras de jogo institucionais. Para eles, ser democráticos é apenas contar as células nas urnas a cada quatro ou cinco anos.

A segunda questão é compreender os apoios de massa obtidos. O antropólogo Andrés Ruggeri, que investiga empresas recuperadas, ressalta que a direita pode construir uma base social reacionária capaz de mobilizar-se, com base nos setores mais retrógrados da classe média. Tais setores sempre existiram e apoiaram a ditadura nos anos 1970 (Diagonal, 13/02/15). Essa base social está ancorada num eleitor-consumidor que adquire um voto como um produto de supermercado.
Ruggieri considera que o grande erro do governo de Cristina Fernández consistiu em não estimular o surgimento de um sujeito popular organizado. Ao invés disso, promoveu um conjunto social desagregado, individualista e consumista, que considerou as conquistas da luta de 2001, e as mudanças sociais alcançadas nos últimos doze anos, como direitos adquiridos que não estavam em risco. Convencer o eleitorado desta suposta garantia foi uma grande conquista da campanha da direita, chave para seu triunfo (Diagonal, 13/02/16).
As classes médias são muito diferentes das dos anos 1960. Já não têm como referência as camadas de profissionais que se formaram em universidades públicas; que liam livros e continuavam estudando ao encerrar suas carreiras; que aspiravam a trabalhar por salários medianos em repartições estatais e se socializavam em espaços públicos onde confluíam com os setores populares. As novas classes médias têm como referência os mais ricos, aspiram a viver nos bairros privados, longe das classes populares e da trama urbana, são profundamente consumistas e desconfiam do pensamento livre.
Se há uma década parte dessas classes médias bateu panelas contra ocorralito do ministro da Economia, Domingo Cavallo, e em certas ocasiões confluiu com os desempregados (piquete e panela, a luta é uma só, era o lema de 2001), agora sua única preocupação é com a propriedade e a segurança; e acredita que a liberdade consiste em comprar dólares e veranear em hotéis cinco estrelas.
Essas classes médias (e uma parte dos setores populares) estão modeladas, culturalmente, pelo extrativismo: pelos valores consumistas que o capital financeiro promove, tão distantes dos valores do trabalho e do esforço que a sociedade industrial promovia há apenas quatro décadas.
Os defensores do modelo neoliberal têm uma base de apoio em torno de 35% a 40%  do eleitorado, como mostram todos os processos da região. Frequentemente não sabemos como enfrentar essa nova direita. Não é fagendo agitação contra o imperialismo que a derrotaremos, mas sim mostrando que se pode desfrutar a vida sem cair no consumismo, o endividamento e o individualismo.