segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

REDES SOCIAIS

Eu não uso, mas para quem usa, pode ser útil. Do blog do Sakamoto


Dez dicas para não ser um leitor-cobaia nas redes sociais

Leonardo Sakamoto

Dez dicas rápidas para você, leitor de redes sociais, não ser enganado na guerra cotidiana por corações e mentes que esta deflagrada na internet. Porque, em uma guerra, a verdade (se é que ela ainda existe) é sempre a primeira vítima:
1) Olhe sempre a data do texto – Há muita gente que, por inocência ou sacanagem, reposta links antigos como se o fato tivesse acabado de acontecer. Como o momento em que um fato ocorre é importante para a sua compreensão, a impressão que fica é que o problema se repete por incompetência de alguém num eterno Dia da Marmota.
2) Anônimo é coisa do capeta – A chance de uma denúncia anônima e sem a fonte da informação circulando no WhatsApp ser séria é a mesma de um jabuti escalar um poste de luz sozinho. Se recebeu, demonstre nojinho e desconfie.
3) Fora de contexto, sem chance – Quando alguém tenta desacreditar uma ideia, pinça uma frase ou uma imagem fora de seu contexto e a utiliza para construir seu argumento. Como parte das pessoas foi condicionada a agir como gado diante do discurso de quem confia, acaba acreditando no novo significado que o sujeito tentou impor com essa descontextualização. Ou seja, na dúvida, Google nele.
4) Não seja otário, leia – Ler um texto até o final é fundamental. O título, a foto e legendas não são capazes de trazer toda a complexidade de um argumento. Se não tiver tempo para ler, não compartilhe ou curta. Você pode, sem querer, estar difundindo uma peça de racismo ou de violência contra a mulher.
5) Desconfie dos argumentos de autoridade – Não é porque o papa ou a bispa Sônia disseram algo que você tem que acreditar. O mesmo vale para o presidente da sua associação de moradores ou o diretor do seu sindicato. Exija confirmação dos fatos ou vá atrás dela.
6) Cuidado com falsa relações de causa e consequência – Um fato que acontece depois do outro não necessariamente foi causado pelo primeiro. O atropelamento de um pônei não é, necessariamente, a causa de uma tempestade. Da mesma forma, a chegada de imigrantes não é necessariamente a causa de desemprego.
7) Não se deixe levar por quem escreve bonito – O texto pode até estar te xingando de uma forma doce e você nem vai perceber se não observar atentamente o significado das palavras que o autor escolheu. Além disso, fique atento: não é porque a pessoa escreve com certeza absoluta no que diz que está certa.
8) Cuidado com os sites fantasmas – Não é porque um site publicou um assunto com uma abordagem com a qual você concorde que ele é honesto ou faz bom jornalismo. Procure um “quem somos'' ou um “expediente'' e veja quem trabalha lá. Se não encontrar, desconfie.
9) A imagem nem sempre vale mil palavras – Até uma criança não alfabetizada é capaz de manipular uma foto com aplicativos online. Então, por que você acredita que uma imagem é uma prova irrefutável de um argumento? Ao mesmo tempo, ao editar um imagem, deixando partes dela de fora, exclui-se desafetos ou cria-se a impressão de multidões onde elas não estavam.
10) Leia coisas com as quais discorda – Não é porque você não concorda com uma opinião ou informação presentes em um texto bem fundamentado que ele não merece ser lido. Considere que o mundo é mais complexo do que você pode imaginar e que a pluralidade de ideias, desde que não desejem a morte de ninguém, ajuda a crescermos como sociedade. O contrário disso se chama ditadura.

SEGREGAÇÃO DE FATO

Da Carta Capital

Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde

Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa
por Rosana Pinheiro-Machado — publicado 27/01/2015 12h08, última modificação 15/06/2015 17h05
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Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saia da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.
Mas eis que, de repente, um menino negro, magro e sorridente, ousou subverter as regras tácitas. Brincando de correr em ziguezague, ele “invadiu” a área branca e se esbarrou num menino que, imediatamente, se agarrou desesperadamente no braço da mulher que lhe buscara. Foi um reflexo automático do medo. O menino “invasor” fez um gesto de desculpas – algo como “foi mal” -, e voltou a correr entre os seus, enquanto que a outra criança seguia petrificada.
No olhar do menino “invadido”, havia um misto de medo, de raiva, mas principalmente, de nojo – como que se a outra criança tivesse uma doença altamente contagiosa. Não é difícil imaginar o impacto de esse olhar no inconsciente do menino negro e pobre. Este aprendia, desde muito cedo, que era um intocável, que vivia em uma sociedade na qual seu corpo, na esfera pública, valia menos que o de um menino da mesma idade, que ainda não tinha nenhum mérito conquistado, apenas privilégios herdados.  As consequências desse gesto minúsculo serão trágicas para o menino "invadido", pois é vítima da ignorância social. Mas será muito mais trágica para quem é negro e desprovido de capital econômico, social e cultural. Para que essa que criança não se corrompa no futuro, ela precisa ser salva do olhar de nojo.
É possível que, por meio de leitura e mistura, o menino amedrontado se engrandeça politicamente no futuro, se liberte do muro que lhe protege e dispense o braço da babá. Mas, infelizmente, há uma tendência grande de que ele, cercado por medo e preconceito, passe o resto de sua existência se protegendo do “marginalzinho”. Pivetes, favelados, fedorentos: isso é tudo que o ele ouve sobre seus vizinhos. Trata-se de uma verdade histórica a priori, para além da qual não se consegue pensar. Essas categorias compõem o discurso forjado sobre a pobreza, que, em última instância, visa à intervenção e à manutenção do poder. Reproduzindo este discurso, então, o menino tornar-se-á um adulto. Ele blindará seu carro, colocará alarme em sua casa, pedirá a morte de traficantes. Dirá que rolezinho é arrastão, pedirá mais polícia e curtirá a vida em camarotes. Pode ser até que ele peça a volta da ditadura. Achando que é um cidadão de bem que age contra a marginalidade do mal, forma-se um perfeito idiota.
Ah, mas os pobres da África a gente gosta
Em 2012, enquanto eu estava em Harvard, recebi a visita de uma orientanda do Brasil. Ela tirava fotos e se exibia no Facebook: “#Orgulho”, “Minha orientadora é pós-doutora por Harvard, e a sua?”. Em uma pausa, ela me perguntou em que escola eu havia estudado para ter chegado a uma universidade da elite internacional. Ela buscava identificação. Eu era um exemplo de uma mulher jovem, branca e “bem sucedida”, exatamente como ela se projetava nos próximos dez anos. Eu, sabendo que ela havia estudado do lado de dentro do muro, respondi que passei a parte mais rica da minha vida, dos 2 aos 17 anos de idade, do outro lado do muro. Ela não postou, mas bem que pensou: #MinhaOrientadoraÉMarginalzinha...".
A reação dela era de decepção, vergonha e certa pena de mim. Ela ficou vermelha, desconcertada, sem chão. Engasgou-se e começou a tossir para disfarçar a cor de suas bochechas. Isso tudo porque ela sabia muito bem que tinha passado aproximadamente quinze anos de sua vida chamando pessoas como eu de “tigrada”. Ela se socializou negando a alteridade e, portanto, nunca imaginou que a relação de poder entre os atores dos diferentes lados do mundo se inverteria. Tudo que ela havia aprendido sobre aquele Outro era simplesmente de que se tratava de uma não-persona. O motivo pelo qual o seus vizinhos tinham menos do que ela não cabiam em sua imaginação. Fazendo parte da meritocracia sem mérito, ela simplesmente merecia ter o que tinha.
Ela, então, tinha que desvendar um enigma: como uma pessoa que tinha vindo de um lugar tão ruim podia estar em uma Universidade tão boa? A única maneira de ela se reconciliar com seus próprios preconceitos era me classificar como um daqueles casos excepcionais de superação que aparecem Globo Repórter. Eu respondi que não, que o destino de quem sai de lá tem sido muito variado. Há quem entra para o crime e morre antes dos 18 anos, mas a maioria tem histórias de lutas, perdas, mas, sobretudo, conquistas. Uma pena que ela nunca quis saber dessas histórias e deixou de crescer por meio da alteridade.
Ironicamente, essa aluna estava voltando de um programa voluntário para ajudar uma comunidade miserável de Ruanda.  Havia poesia – e alívio cristão – em (arrogantemente) querer salvar a África. Por algum motivo, os pobres e negros do lado de lá do oceano (que não assaltariam a sua caminhonete já adquirida aos 21 anos) eram mais dignos de sua profunda bondade do que os pobres e negros que ela havia ignorado por toda a sua existência.
Eu sempre me pergunto as razões pelas quais esse perfil de elite se comove com a pobreza romantizada, mas nega a solidariedade ao pobre da mesma cidade. Nessas horas, me vem à cabeça o dia em que meus colegas de escola estavam participando de um campeonato de futsal, mas não tinham quadra para treinar. Marcamos uma reunião com a diretora da escola do lado no intuito de solicitar, em nome de nossa vizinhança, o uso da quadra durante a noite, que ficava inativa. Em um ato de profunda humilhação, fomos “escoltados” até o escritório e recepcionados com as piadas das outras crianças (que não teriam tido coragem de debochar fora da fortificação). Depois de muita resistência, a diretora liberou o uso do ginásio, o que foi vetado uma semana depois em função de uma bola que tinha desaparecido. Apesar de eu ter convicção de que não houve roubo, eu nunca vou poder afirmar isso com 100% de certeza. O que eu posso afirmar para o resto da minha vida é que, desde então, eu sou contra a pena de morte – e de toda a concepção de que bandido bom é bandido morto - justamente porque muitos inocentes terão suas vidas abortadas por causa do preconceito. Quinze jovens tiveram seu sonho de competir interrompido por causa de uma falsa verdade: a de que nós só poderíamos ser ladrões. Consequentemente, “não adianta mesmo querer ser generoso e dar oportunidade para marginal”.
Entender que o pobre do lado tem o mesmo valor do pobre da África é uma tarefa para uma vida toda, pois envolve uma postura política de grandeza reflexiva intelectual e o reconhecimento de nossa responsabilidade sobre o Outro. Reclama-se da ineficiência do Estado brasileiro, mas toda a violência estrutural gerada por este Estado é reproduzida por sujeitos covardes e apáticos que negam, estigmatizam e inviabilizam o Outro.
Faz vinte anos que eu deixei a escola. Em minha última visita, em 2014, as instalações estavam muito mais deterioradas. As goteiras continuam lá. Sem professores em sala de aula, os alunos não podem ir para área de esportes porque o lugar está interditado há seis anos por risco de o teto desabar. Mas o muro da escola do lado continua a crescer.
Desde pequena eu aprendi que a violência é holista. As elites não são vítimas da violência urbana. A agressão sofrida é a mesma que se pratica.  O olhar de nojo é também assassino. E os muros ferem mais do que protegem.  Será que as pessoas imaginam o quanto podem crescer derrubando muros?

OPORTUNIDADE DE MUDANÇA NA ECONOMIA

Nelson Barbosa parece mais bem equipado para ver além das demandas do auto denominado "mercado", na realidade um grupo restrito de operadores e representantes dos 0,1 % dos mais ricos do mundo, que só querem mais e mais dinheiro, de preferência às custas dos mais pobres. 

É portanto oportunidade para superar os mitos da economia "do lado da oferta", que procuram cortejar uma tal fadinha da "confiança". A tal fadinha uma vez convencida pelas iniciativas de auto-limitação e redução do Estado, celebradas no altar da austeridade, talvez se convença e transforme as mentes dos empreendedores privados em verdadeiros empreendedores, com espírito animal e tudo. 

O professor Ricardo Abramovay lembra neste artigo, publicado dentro do Projeto Colabora, um dos nós importantes da economia brasileira dos últimos anos. Embora atualmente ligado à Rede, não abandonou todas as visões da esquerda nacionalista, e traz questões que devem ser urgentemente debatidas. Tem que ter iniciativas para reindustrializar este país, e minha convicção é que isto exige muito mais protagonismo do Estado, multiplicando iniciativas como o polo aeronáutico de São Bernardo do Campo, inclusive retomando o mais cedo possível os investimentos ligados à indústria do petróleo, estagnados com o derretimento dos preços internacionais pela Arábia Saudita e Qatar.

O Estado Brasileiro deve atuar mais e mais sabiamente, não menos.

Dependência de commodities agrícolas e minerais leva América Latina ao quarto ano consecutivo de baixo crescimento

A dependência das commodities agrícolas, como a soja, é um das principais razões do despreparo da América Latina para um crescimento de longo prazo
A dependência das commodities agrícolas, como a soja, é um das principais razões do despreparo da América Latina para um crescimento de longo prazo
Em nenhum lugar do mundo foi maior que na América Latina o aumento na renda dos 40% mais pobres da população, na primeira década do milênio. No entanto, como mostra um trabalho recente do Banco Mundial este inédito surto equitativo foi efêmero: o Continente encontra-se em seu quarto ano consecutivo de baixo crescimento. Na raiz deste desempenho errático está  o mau preparo da região para um “crescimento de longo prazo”.  A “dependência de commodities agrícolas e minerais” está entre os componentes decisivos deste despreparo.
É verdade que o início do Século XXI entrará para a história como o período de ascensão econômica do hemisfério Sul. Mas as diferenças entre a Ásia do Leste e a América Latina nos respectivos padrões de crescimento contribuem para explicar as perdas das importantes conquistas sociais que marcaram os primeiros anos do milênio entre nós, tema cuja abordagem foi iniciada em artigo anterior, nesta coluna.
O relatório do Banco Mundial mostra que os países do hemisfério Sul representavam 20% do PIB global no início dos anos 1970 e dobraram esta proporção em 2012, com a China representando sozinha 12% do total. Os aumentos foram espetaculares também nos fluxos comerciais e destacaram-se nas exportações de manufaturados que aumentaram, entre 2000 e 2012, de 32% para 48% das vendas globais. Hoje, metade do que o mundo compra e vende em produtos industriais origina-se em países em desenvolvimento. E é exatamente aí que as coisas se complicam para a América Latina.
Uma classe operária numerosa apoiada em sindicatos e partidos com ela identificados é um fator decisivo de participação política, de negociação e esta foi uma das bases dos virtuosos processos que, nos países desenvolvidos, reduziram de forma expressiva as desigualdades e ampliaram direitos desde a IIª Guerra Mundial até o início dos anos 1980
É inevitável a comparação com países como Coréia do Sul, Taiwan e China que tinham renda per capita, produtividade do trabalho e grau de diversificação de suas estruturas econômicas e comerciais equivalentes ou piores que as da América Latina. O economista Lucas Mations, do IPEA, mostra que a produtividade do trabalho na América Latina (excetuando o Brasil) era quase o dobro da do Leste da Ásia, em 1960.  Já nesta época, estávamos na lanterninha do Continente, um pouco abaixo do desempenho do Leste da Ásia. Em 2011 continuamos abaixo da média da América Latina e do Caribe, mas o Leste da Ásia deslanchou deixando a América Latina para trás em produtividade do trabalho.  A economia brasileira cresceu, é verdade, mas seu vetor fundamental não foi o melhor desempenho de nossos trabalhadores.
No que se refere às redes regionais de comércio, até 1980, elas tinham formato muito semelhante na América Latina e no Leste da Ásia, ambas centradas em alguns poucos países dominantes. Já em 2012, mostra o Banco Mundial, o Leste da Ásia diversifica sua inserção global, o mesmo nem de longe ocorrendo com a América Latina.
Mais importante porém do que saber para quem se vende é o quê cada região coloca no fluxo do comércio internacional. O que ficou obscurecido pela associação entre redução da pobreza e forte dependência de commodities agrícolas e minerais é que nosso Continente (junto com a África) ocupa hoje os mais baixos patamares das cadeias globais de valor. Sua capacidade de atrair investimentos é dada exatamente por esta pouco virtuosa vantagem comparativa e não por sua capacidade de inserir no mercado mundial produtos com alto valor agregado.
Isso se exprime na maneira como nos relacionamos com o resto do mundo e, sobretudo, com sua parcela mais dinâmica, que se encontra justamente no Leste da Ásia. O Século XXI é marcado pela intensificação dos vínculos entre países em desenvolvimento. No entanto, diz o relatório do Banco Mundial, os “laços da América Latina com outros países do hemisfério Sul é guiado em grande medida por vantagens comparativas baseadas em dotações naturais, muito mais que pela integração manufatureira nas cadeias globais de valor”. Os vultuosos investimentos chineses na América Latina hoje voltam-se fundamentalmente a fortalecer o lugar que já ocupamos nas cadeias globais de valor e concentram-se em setores marcados por baixo grau de inovação tecnológica e ameaçadores impactos socioambientais. Hidrelétricas, fósseis e exploração mineral são suas expressões mais emblemáticas.
Isso significa que a recente redução da pobreza de renda na América Latina não teve lastro num processo de mudanças estruturais da vida econômica, mas, ao contrário, apoiou-se exatamente em coalizões sociais, em comportamentos e em instituições que aprofundaram esta forma inferior de inserção nas cadeias globais de valor. A impressionante desindustrialização do Continente é a principal expressão desta fragilidade. Contrariamente ao que ocorreu no Leste da Ásia, em que o fortalecimento da indústria trouxe consigo não só novas oportunidades de trabalho, mas, sobretudo, abriu caminho à emergência de novos atores sociais e de uma densa rede voltada à inovação, a América Latina vive o drama de ter-se desindustrializado, antes de ter chegado a uma renda que lhe permita transitar a uma economia moderna de serviços.
economista Dani Rodrik, da Universidade de Princeton, chama este processo de “desindustrialização prematura” e mostra que a América Latina e a África são hoje suas principais vítimas. Os dados de Rodrik convergem com os do Banco Mundial no sentido de que a atrofia industrial latino-americana não só inibe a inovação, mas é também um obstáculo consistente para que o aumento nos ganhos dos mais pobres se origine nas melhorias vindas do próprio mercado de trabalho.
Mas Rodrik mostra que o risco desta desindustrialização prematura não é apenas econômico. É também político. “Historicamente, a industrialização desempenhou o papel fundacional na Europa e nos Estados Unidos, na criação dos Estados modernos e na emergência da democracia política”, diz ele. Uma classe operária numerosa apoiada em sindicatos e partidos com ela identificados é um fator decisivo de participação política, de negociação e esta foi uma das bases dos virtuosos processos que, nos países desenvolvidos, reduziram de forma expressiva as desigualdades e ampliaram direitos desde a IIª Guerra Mundial até o início dos anos 1980.
Ao contrário, elites que têm diante de si segmentos sociais frágeis, desorganizados e cujos interesses comuns são difíceis de definir tendem a comportamentos políticos predatórios. “Elas podem preferir – e têm a habilidade para fazê-lo – dividir e dominar cultivando o populismo e a política da patronagem e colocando grupos que não pertencem às elites uns contra os outros”. Qualquer semelhança com a realidade não parece ser mera coincidência.

QUEM FINANCIA OS MBLs DA VIDA?

Recebi do Eder, que recebeu de alguém mais. Importante lembrar que o golpe de 1964 teve muito dinheiro de dentro e de fora (inclusive a infame compra do general Amauri Kruel)

Rede de think tanks conservadores dos EUA financia jovens latino-americanos para combater governos de esquerda


Kim Kataguiri, encontra o patrocinador da festa, Jorge Gerdau. Foto: Fernando Conrado.Após o Forum, Kim iniciou a caminhada para Brasília, para encontrar CUNHA, e entregar pedido de Impeachement de Dilma. Encontro imortalizado naquela foto, na mesa com Cunha, com participação de Bolsonaro entre outros.

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Quando teve os protestos em 2013 pelo Passe Livre, vários membros do Estudantes pela Liberdade queriam participar, só que, como a gente recebe recursos de organizações como a Atlas e a Students for Liberty, por uma questão de imposto de renda lá, eles não podem desenvolver atividades políticas. Então a gente falou: ‘Os membros do EPL podem participar como pessoas físicas, mas não como organização para evitar problemas. Aí a gente resolveu criar uma marca, o MBL SURGIU."- Juliano Torres, o diretor executivo do Estudantes pela Liberdade (EPL)
Afinal, quem está por trás de movimentos como MBL, EPL, Revoltados OnLine, e, todos estes grupos da direita, que "apareceram" nos dois últimos anos??? Nestes estudos e documentários, é possível entendermos qual é a força e os interesses, por trás dos atores dos planos do Golpe, e como chegaram até aqui. Vejam nas fotos, William Waack, Kim Kataguiri, Constantino, Caiado/DEM, Grupo RBS, Gerdau, Souza Cruz, a famosa blogueia cubanaYoani Sánchez, FHC, entre outros. Entenda a participação de cada um deles, neste cenário político e como tudo, que está acontecendo agora, foi planejado há muito tempo. É uma verdadeira MÁFIA, e com planos bem definidos, para o Brasil e a América Latina.

Para facilitar a compreensão, fiz um pequeno resumo, das ligações dos grupos MBL e EPL, com Fundações Americanas, políticos do PSDB, PP, DEM; e várias organizações da extrema-direita:


-Fábio Ostermann, coordenador do MBL, é assessor do Deputado Marcel van Hattem (PP-RS)
Deputado Marcel van Hattem (PP-RS), palestrando no Forum, gritando "ForaDilma". Detalhe: PP é o partido mais envolvido na Operação Lava-Jato
-O Deputado, foi eleito com doações da Gerdau, e do grupo Évora – do pai de Anthony Ling, fundador do EPL –, também participou de cursos na Acton Institute University, a mais religiosa das fundações libertaristas que compõem a rede de fellowship da Atlas e da Koch Foundation;
-O currículo de Fábio Ostermann, diz que ele foi Koch Summer Fellow na Atlas Economic Research Foundation. 
-A Atlas é uma das principais parceiras do IHS -Institute of Human Studies- fundação da família Koch; um dos principais responsáveis pelos programas de Fellowship para estudantes. Só em 2012 foram distribuídos 900 mil dólares em doações de acordo com o formulário entregue ao IRS.

Alejandro Chafuen, da Atlas, com Fábio Ostermann do MBL na manifestação em Porto Alegre.

-Estes grupos começaram se reunir no Forum Da Liberdade, principal forum conservador do país. Foi ali que, em2006, foi lançado oficialmente o principal think tank da direita no Brasil, o Instituto Millenium

-Armínio Fraga é sua figura mais conhecida no campo econômico. Seus mantenedores são a Gerdau, a editora Abril e a Pottencial Seguradora, uma das empresas de Salim Mattar, dono da locadora de veículos Localiza, amigo pessoal de Aécio Neves. A Suzano, o Bank of America Merrill Lynch e o grupo Évora, dos irmãos Ling; 
-William Ling participou da fundação do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) em 1984, que, formado por jovens líderes empresariais, organiza o Fórum desde a primeira edição; seu irmão, Wiston Ling, é fundador do Instituto Liberdade do Rio Grande do Sul; o filho, Anthony Ling, é ligado ao grupo Estudantes pela Liberdade, que criou o MBL;

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A rede de think tanks liberais e libertaristas no Brasil se completa com mais duas entidades: o Instituto Ordem Livre – que realiza seminários para a juventude – e o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, do Rio de Janeiro, ligado ao Opus Dei
-O jurista Ives Gandra, também da Opus Dei de Alckimin, é autor do controverso parecer sobre a existência de base jurídica para o impeachment da presidente Dilma, faz parte de seu conselho.
-Todas as organizações compõem a rede da Atlas Network no Brasil, incluindo o MCN de Gloria Álvarez, a Universidade Francisco Marroquín e o Estudantes pela Liberdade, uma organização que nasceu dentro da Atlas em 2012;

-
Entre as financiadoras do Students for Liberty, a Atlas levanta um volume bem maior de recursos para a organização, através de suas parceiras. Todos os maiores doadores do Students for Liberty também são doadores da Atlas. Nem sempre é possível saber a origem do dinheiro, apesar da obrigação legal de publicar;

-O relatório 
2014-2015 da Students for Liberty mostra uma arrecadação de fundos impressionante: US$ 3,1 milhões comparados a apenas US$ 35,768 mil dólares obtidos em 2008, quando a organização foi fundada. 
-Há dois brasileiros no International Board do Students for Liberty (entre dez membros), e o relatório deste ano dedica uma página especialmente às manifestações do MBL no Brasil.



-Os programas são realizados em parceria com outras fundações, principalmente o Cato Institute, a Charles G. Koch Charitable Foundation e o IHS, Institute of Human Studies – TODAS fundações ligadas à família Koch, uma das mais ricas do mundo.
-As 11 fundações dos Koch despejaram 800 milhões de dólares nas duas últimas décadas na rede americana de fundações conservadoras.


Em palestra no Instituto FHC, Gloria fala para o ex-presidente, sentado à sua frente. Foto: Vinicius Doti/iFHC

ESTÃO ENVOLVIDOS, TAMBÉM: 
-INSTITUTO MILLENNIUM;ligado à Globo e Gilmar Mendes
-INSTITUTO FHC



Students For Liberty e o MBL, de Kim Kataguiri

O motivo de Kim Kataguiri negar recursos das famílias Koch, e estar pedindo dinheiro pela internet, numa clara intenção de enganar os incautos, é porque é NOS EUA É PROIBIDO DOAR RECURSOS PARA ATIVISTAS POLÍTICOS. Mas, eles obviamente, arrumaram um meio de driblar esta proibição, como o próprio Diretor Executivo da EPL acabou dizendo, em suas declarações: 

"Juliano Torres, o diretor executivo do Estudantes pela Liberdade (EPL), foi mais claro sobre a ligação entre o EPL e oMovimento Brasil Livre (MBL), uma marca criada pelo EPL para participar das manifestações de rua sem comprometer as organizações americanas que são impedidas de doar recursos para ativistas políticos pela legislação da receita americana (IRS)."

OBS: PERCEBERAM O GOLPE RASTEIRO, QUE ESTES ATIVISTAS "APARTIDÁRIOS", "SEM FINS LUCRATIVOS"; ESTÃO DANDO EM NOSSO PAÍS??? 
Acompanhe o resto da reportagem:

 “Quando teve os protestos em 2013 pelo Passe Livre, vários membros do Estudantes pela Liberdade queriam participar, só que, como a gente recebe recursos de organizações como a Atlas e a Students for Liberty, por uma questão de imposto de renda lá, eles não podem desenvolver atividades políticas.Então a gente falou: ‘Os membros do EPL podem participar como pessoas físicas, mas não como organização para evitar problemas. Aí a gente resolveu criar uma marca, não era uma organização, era só uma marca para a gente se vender nas manifestações como Movimento Brasil Livre. Então juntou eu, Fábio [Ostermann], juntou o Felipe França, que é de Recife e São Paulo, mais umas quatro, cinco pessoas, criamos o logo, a campanha de Facebook. 
E aí acabaram as manifestações, acabou o projeto. E a gente estava procurando alguém para assumir, já tinha mais de 10 mil likes na página, panfletos. E aí a gente encontrou o Kim [Kataguiri] e o Renan [Haas], que afinal deram uma guinada incrível no movimento com as passeatas contra a Dilma e coisas do tipo. Inclusive, o Kim é membro da EPL, então ele foi treinado pela EPL também. E boa parte dos organizadores locais são membros do EPL. Eles atuam como integrantes do Movimento Brasil Livre, mas foram treinados pela gente, em cursos de liderança. O Kim, inclusive, vai participar agora de um torneio de pôquer filantrópico que o Students For Liberty organiza em Nova York para arrecadar recursos. Ele vai ser um palestrante. E também na conferência internacional em fevereiro, ele vai ser palestrante”, disse em entrevista por telefone na sexta-feira passada.
Remunerado por seu cargo na EPL, Juliano conta que tem duas reuniões online por semana com a sede americana e que ele e outros brasileiros participam anualmente de uma conferência internacional, com as despesas pagas, e de um encontro de lideranças em Washington. O budget do Estudantes pela Liberdade no Brasil deve alcançar R$ 300 mil este ano. “No primeiro ano, a gente teve mais ou menos R$ 8 mil, o segundo foi para R$ 20 e poucos mil, de 2014 para 2015 cresceu bastante. A gente recebe de outras organizações externas também, como a Atlas. A Atlas, junto com a Students for Liberty, são nossos principais doadores. No Brasil, as principais organizações doadoras são a Friederich Naumann, que é uma organização alemã, que não são autorizados a doar dinheiro, mas pagam despesas para a gente. Então houve um encontro no Sul e no Sudeste, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Eles alugaram o hotel, a hospedagem, pagaram a sala do evento, o almoço e o jantar. E tem alguns doadores individuais que fazem doação para a gente.”
A fundação da EPL no Brasil veio depois de Juliano ter participado de um seminário de verão para trinta estudantes patrocinado pela Atlas em Petrópolis, em 2012. “Ali mesmo a gente fez um rascunho, um planejamento e daí, depois, a gente entrou em contato com a Students for Liberty para oficialmente fazer parte da rede”, diz.
Depois disso, ele passou por quase todo tipo de treinamento na Atlas. “Tem um que eles chamam de MBA, tem um treinamento em Nova York também, treinamentos online. A gente recomenda para todas as pessoas que trabalham em posições de mais responsabilidade que passem pelos treinamentos da Atlas também.”
Os resultados obtidos pelos brasileiros têm impressionado a sede nos Estados Unidos. “Em 2004, 2005 tinha uma dez pessoas no Brasil que se identificavam com o movimento libertário. Hoje, dentro da rede global do Students for Liberty, os resultados que a gente tem são muito bons. Uma das maneiras de medir o desempenho das regiões é o número de coordenadores locais. Em todas as regiões, contando a América do Norte, a África, a Europa, a gente tem mais coordenadores que qualquer região separadamente. Nos Estados Unidos, a organização existe há oito anos; na Europa, há quatro; aqui, há três anos. Então, a gente está tendo mais resultado em muito pouco tempo que acaba traduzindo em maior influência na organização.”
William Waack patrocinado por eles”. Foto: Felipe Gaieski Patrocinado.Motivo dosconstantes ataques a Dilma
Há dois brasileiros no International Board do Students for Liberty (entre dez membros), e o relatório deste ano dedica uma página especialmente às manifestações do MBL no Brasil. A brasileira Elisa Martins, formada em Economia na Universidade de Santa Maria (RS), é a responsável pelos programas internacionais de bolsas de estudo e treinamento de lideranças jovens na Atlas Network.
Os programas são realizados em parceria com outras fundações, principalmente o Cato Institute, a Charles G. Koch Charitable Foundation e o Institute of Human Studies – fundações ligadas à família Koch, uma das mais ricas do mundo. Juntas, as 11 fundações dos Koch despejaram 800 milhões de dólares nas duas últimas décadas na rede americana de fundações conservadoras. Outra parceira importante é a John Templeton Foundation, de outro bilionário americano. Essas fundações têm orçamentos bem maiores do que a Atlas e desenvolvem programas de fellowships em que entram com recursos e a Atlas, com a execução. Um exemplo desses projetos é o financiamento da expansão da Rede Students for Liberty com recursos da John Templeton, fechado em 2014 com mais de US$ 1 milhão de orçamento."

Rodrigo Constantino autografa livro para fãs durante o Fórum. Foto: Felipe Gaieski

domingo, 20 de dezembro de 2015

SOBRE A CONFERÊNCIA DE PARIS SOBRE A MUDANÇA DO CLIMA

Por George Monbiot, no Outras Palavras

Aquecimento global: um estranho evento em Paris

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Derretimento de glaciares, cada vez mais comum em diversas partes do mundo. Para Monbiot, Um aquecimento máximo de 1,5ºC, alvo improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995
Derretimento de glaciares, cada vez mais comum em diversas partes do mundo. Para Monbiot, “um aquecimento máximo de 1,5ºC, meta improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995″
Cúpula do Clima foi, ao mesmo tempo, avanço e desastre. Formou-seconsenso inédito sobre gravidade da ameaça. Mas lobbies bloquearam as medidas indispensáveis para enfrentá-la
Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho
Comparado com aquilo que poderia ter sido, é um milagre. Comparado com o que deveria ter sido, é um desastre.
Dentro dos estreitos limites em que se deram as negociações, o desenho do acordo sobre o clima na ONU, em Paris, é um grande sucesso. O alívio e autocongratulação com que o texto final foi saudado reconhece o fracasso em Copenhague, há seis anos, quando as negociações correram descontroladamente durante algum tempo, até desmoronar. O acordo de Paris ainda espera a adoção formal, mas sua aspiração ao limite de 1,5ºC para o aquecimento global, depois de tantos anos de rejeição dessa meta, pode ser vista no quadro de uma vitória retumbante. Nesse e em outros sentidos, o texto final é mais forte do que foi antecipado pela maioria das pessoas.
Fora desse quadro, contudo, ele parece outra coisa. Duvido que qualquer um dos negociadores acredite que, como resultado desse acordo, o aquecimento global não irá superar 1,5ºC. Como o preâmbulo do documento reconhece, em vista das débeis promessas que os governos levaram a Paris, mesmo 2ºC seria loucamente ambicioso. Ainda que algumas nações tenham negociado de boa fé, é provável que os resultados reais nos levem a níveis de colapso climático que serão perigosos para todos e letais para alguns. Os governos falam em não onerar as futuras gerações com dívidas. Mas acabam de concordar em sobrecarregar nossos filhos e netos com um legado muito mais perigoso: o dióxido de carbono produzido pela queima contínua de combustíveis fósseis, e os impactos de longo prazo que isso irá exercer sobre o clima global.
Com 2ºC de aquecimento, grandes partes da superfície do mundo irão se tornar menos habitáveis. Os habitantes dessas regiões provavelmente enfrentarão extremos climáticos selvagens: secas piores em alguns lugares, enchentes mais devastadoras em outros, tempestades mais fortes e, potencialmente, graves impactos no abastecimento de alimentos. Ilhas e cidades costeiras correm o risco de desaparecer sob as ondas, em muitas partes do mundo.
TEXTO-MEIO
A combinação de mares acidificados, morte de corais e derretimento do Ártico pode significar o colapso de toda a cadeia alimentar marinha. Em terra, as florestas tropicais tendem a ser reduzidas, os rios podem minguar e os desertos, aumentar. Extinção em massa será provavelmente a marca da nossa era. Essa é a cara do que os alegres delegados à conferência de Paris enxergaram como sucesso.
Os próprios termos do documento final poderão fracassar? Também é possível. Embora os primeiros rascunhos especificassem datas e percentuais, o texto final visa apenas “alcançar o pico global de emissão de gases de efeito de estufa o mais rápido possível”. É algo que pode significar qualquer coisa e nada.
Para ser justo, o fracasso não deve ser debitado às conversações de Paris, mas a todo o processo. Um aquecimento máximo de 1,5ºC, meta improvável a que agora se aspira, era plenamente realizável quando da primeira conferência sobre mudança climática da ONU em Berlim, em 1995. Houve duas décadas de procrastinação, causadas por lobbies – abertos, encobertos e frequentemente sinistros. Além disso, os governos relutaram em explicar a seus eleitorados que a fixação pelo curto prazo tem custos a longo prazo. O resultado é que três quartos da janela de oportunidade agora se fecharam. As negociações de Paris são as melhores que jamais tivemos. E isso é um sinal terrível.
O resultado, avançado em comparação a todos os anteriores, deixa-nos com um acordo quase comicamente distorcido. Enquanto as negociações sobre quase todos os outros riscos globais buscam enfrentar ambos os lados do problema, o processo climático da ONU preocupa-se inteiramente com consumo de combustíveis fósseis, enquanto ignora sua produção.
Em Paris, os delegados concordaram solenemente em cortar a demanda de petróleo e carvão, mas em casa busca-se maximizar a oferta. O governo do Reino Unido impôs até mesmo a obrigação legal de “maximizar a recuperação econômica” do petróleo e gás do país, com a Lei de Infraestrutura de 2015. A extração de combustíveis fósseis é um fato duro. Mas não faltam fatos suaves ao acordo de Paris: promessas escorregadias e que podem ser desfeitas. Até que resolvam manter os combustíveis no solo, os governos continuarão a sabotar o acordo que acabam de fazer.
É o melhor que se poderia conseguir, nas condições atuais. Nos EUA, nenhum provável sucessor de Barack Obama demonstrará o mesmo compromisso. Em países como o Reino Unido, grandes promessas no exterior são minadas por orçamentos domésticos esquálidos. Seja o que for que aconteça agora, não seremos bem-vistos pelas gerações que nos sucederem.
Então está bem, deixe que os delegados se congratulem por um acordo melhor do que poderia ser esperado. E que o temperem com um pedido de desculpas a todos aqueles a quem a conferência irá trair.