terça-feira, 27 de outubro de 2015

FALA PUTIN

Peguei no Conversa Afiada, este vídeo, aparentemente de uma conferência com a imprensa americana. É interessante também ver o artigo do Pepe Escobar, do rt.com, aqui, sobre os mais recentes desenvolvimentos da guerra civil da Síria.

MAIS UM EXEMPLO DO GOLPISMO DA POLÍCIA FEDERAL

É na "investigação" sobre o ex-ministro Gilberto Carvalho. Setores do Estado Brasileiro foram aparelhados por inimigos da democracia. Lembremos o Ministério Público Federal com seu chefe Rodrigo Janot, o o juiz Sérgio Moro, de estripulia em estripulia desde o caso do Banestado, no começo deste século. Do Tijolaço

A investigação da PF sobre Gilberto Carvalho é só lixo

gilberto
Não posso deixar de ficar indignado -até mais que o próprio – com a irresponsabilidade da Polícia Federal na mixórdia de “investigação” contra Gilberto Carvalho feita pela Polícia Federal.
O que eram as tais “relações estreitas” que se apontou contra ele?
Uma anotação d de um suposto lobista,Alexandre Paes dos Santos, que também teria participado do negócio, registra um “café” com o ex-ministro no dia 16 de novembro de 2009.
Não era preciso mais que ir ao Google para saber que, neste dia, Gilberto Carvalho não estava nem aqui, no Brasil.
Está na página da Universidade Federal de Viçosa, nesta data, uma descrição das atividades de seu reitor, professor Luiz Cláudio Costa, na reunião da da ONU sobre Segurança Alimentar, em Roma, naquele dia : “Nos registros fotográficos, parte da delegação brasileira no evento: o presidente do Consea, Renato Maluf; o deputado Fonteles, o chefe de gabinete do Presidente, Gilberto Carvalho; o reitor Luiz Cláudio e o ministro Milton Rondó, do Itamarati e o reitor Luiz Cláudio”. A foto não está mais no ar, mas certamente está nos arquivos.
E o “código da propina”? “Não esquecer de levar duas bonecas para o Gilberto”.
O que eram as “bonecas”? Duas malas de dinheiro?
Não, eram mesmo duas bonecas de plástico, para as meninas que Carvalho acabara de adotar e que eu, curiosamente, conheci “fazendo bagunça” numa sessão de música para crianças – à qual levei meu filho, em 2012 – no CCBB, em Brasília, aproveitando que era “baratinho” para correntistas do Banco do Brasil.
A adoção das meninas custou a Gilberto dois anos de luta judicial, que ele descreve em carta a Ricardo Kotscho, também disponível aos doutores delegados na internet. Talvez ali decifrassem o “mistério”  das bonecas…
Fico impressionado e engulhado com este tipo de coisa. Na Operação Zelotes, só nas maiores empresas, há fraudes para sonegar impostos de duas dezenas de bilhões de reais.
E os nossos valentes delegados e delegadas federais estão investigando bonecas para as meninas do chefe de Gabinete de Lula, com quem tive o privilégio de conviver e sobre o qual, por inevitável dignidade, não posso deixar de, modestamente,  testemunhar a integridade.
Se os homens públicos brasileiros tivessem metade da simplicidade e da honradez de Gilberto Carvalho, o Brasil seria o país mais honesto do mundo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

TEM GENTE QUE DEFENDE A PÁTRIA. OUTROS, VENDEM

Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada. Eu recomendo a leitura do jornal online Russia Today. É putinista, mas é bem escrito e traz uma visão diferente da que vem das agências de notícias dos EUA e seus aliados.

Obama está na Lava Jato

Os russos sabem que a Lava Jato é para entregar a Petrobrax à Chevron
dilma e putin
É ali, olha, em Foz do Iguaçu !
Esse não é capítulo de uma alucinada “teoria da conspiração”.

Como se sabe, a Rússia é boa de serviços de inteligência.

A quem duvidasse, Putin localizou exatamente as áreas da atuação do ISIS na Síria, bombardeou-as e salvou o regime Assad.

Os americanos ficaram uma fera, porque o Putin aproveitou para acabar também com os ativistas armados e financiados pelos americanos para, em benefício de Israel, derrubar Assad.

Putin deu uma explicação irretocável: não há como distinguir terrorista bem intencionado de mal intencionado!

Mas, de volta à suposta “teoria da conspiração”.

Depois do 11 de Setembro, os americanos passaram a dedicar especial atenção à tríplice fronteira, Brasil, Argentina e Paraguai, a partir de Foz do Iguaçu.

Ali estaria uma base de financiamento de terroristas muçulmanos, de origem árabe.

Como os americanos vieram, os russos do Putin vieram atrás.

E se dedicaram, também, a analisar importante evento ocorrido em Foz do Iguaçu: o Banestado.

A maior lavanderia do mundo!

Por onde saíram fortunas, lavadas, desde então, por Youssef e outros doleiros.

Foi um dos momentos “Péricles de Atenas” do plúmbeo Governo do FHC…

O Juiz Moro da Vara de Guantánamo, que não descansa enquanto não prender o Lula, conhece por dentro a Lava Jato.

Trabalhou nela.

Como conhece por dentro a alma do Youssef, e por isso aceitou que ele fizesse 12.908 delações.

E ainda há outras por vir.

Quando se desgravarem as fitas que os delegados aecistas usaram para grampear o mictório do Youssef.

Foz do Iguaçu, americanos, Banestado, Moro.

Lava Jato!

A Presidenta Dilma Rousseff recebeu uma análise minuciosa, que associa os americanos à fúria vingadora do Moro.

Os agentes da inteligência russa que fizeram a análise encontraram o portador adequado para depositá-la na mesa presidencial.

A Lava Jato tem o objetivo central de prender o Lula.

Isso é tão óbvio que Ilustre colonista da Fel-lha, aquela que é um canhão com o espaço dos trabalhistas e um poodle com o outro, essa mesma diligente colonista resolveu se dedicar ao empresário Bumlai.

Bumlai se tornou o “batom na cueca” do Lula – segundo os moristas pendurados no PiG.

Mas, a Lava Jato, segundo a análise russa, vai além da cana do Lula.

(Com esse zé na Justiça o Lula passa o Natal na cadeia.)

A Lava Jato é um instrumento para desmontar a Petrobras.

E destruir o campo político que mantém a Petrobras sob o controle do povo brasileiro!

Ou seja, ferrar o Lula e ferrar a Dilma para entregar a Petrobrax à Chevron.

Os Estados Unidos não podem conviver com um concorrente nas Américas que tenha petróleo.

E comida.

(Clique aqui para ler sobre a diferença entre o Brasil e a China.)

Um concorrente que tenha um rosto no Atlântico e outro no Pacífico, com a Bi-Oceânica.

E que não faça parte da TPP, aquela aliança contra a China e a Rússia e que se tornou fetiche dos tucanos.

A Lava Jato é o IBAD, o IPES, o Ponto IV, a Aliança para Progresso, a IV Frota, a Operação Brother Sam, o Golbery, o Rubem Fonseca - aqueles instrumentos do Golpe contra Jango, descritos magistralmente no filme “O dia que durou 21 anos”

E, com a ajuda da obra magistral “1964 – a conquista do Estado”, de René Dreifuss, aparecem também no “Quarto Poder”.  

(Como se sabe, o dos chapéus, notável historialista, escreveu 179 volumes para salvar o Golpe de 1964 e não cita o Dreifuss. Prefere defender a tese de que o Jango caiu porque gostava de pernas – de cavalos e coristas.)

Para voltar aos russos.

Os russos consideram o Brasil seu parceiro estratégico nas Américas.

E a Lava Jato é um obstáculo a essa parceria.

Porque a Lava Jato é do Obama.

“Teoria da conspiração”?

O Jango caiu porque não acreditou nelas…

Pensou que o Kruel era aliado...

O FASCISMO CONTA COM A CUMPLICIDADE DA PM

Neste caso, na Paraíba. Do Viomundo

Professor foi ver ato pró-impeachment, acabou xingado e espancado por fascistas: “Um me aplicou choque, como os torturadores do DOI-CODI. A PM nada fez”

publicado em 23 de outubro de 2015 às 14:19
Natal 4
Na foto à direita, o fascista que aplicou o choque em Daniel Valença, carregando a arma
O dia em que vi o fascismo de perto
por Daniel Valença
Fui ver com meus próprios olhos o ato em Natal pró-impeachment. Eram cerca de 15 manifestantes e mais 10 “seguranças” contratados para “proteger” os bonecos de Dilma e Lula. Como em todo o Brasil, novamente a UJS rasgou os bonecos – o fizeram, aliás, em São Paulo, no Recife e em João Pessoa.
Corri para acalmar a confusão e impedir que os jovens fossem agredidos fisicamente. No meio do caminho, um dos organizadores do ato me aplicou um mata-leão, hora em que perdi meus óculos e celular. A PM assistiu a tudo e nada fez, exceto deter os jovens da UJS que, já algemados, continuaram sendo agredidos física e verbalmente.
Fui cercado por todo esse grupo que berrava “petista!”, “comunista!”, “bandido filho da puta”. Respondi insistentemente que era petista e comunista com muito orgulho e que tinha o direito de sê-lo. Foi então que um manifestante fascista veio por trás e me aplicou um choque elétrico, prática comum aos torturadores do DOI-CODI. Resisti para não cair. Brevemente retomei a consciência e me vi sendo chutado e agredido por pessoas que teoricamente eram jornalistas, até que um amigo finalmente conseguiu me retirar do cerco.
Pela primeira vez, vi o fascismo de perto. Ao contrário daquele das décadas de 1920-1940, não havia uma multidão, contavam-se nos dedos. Mas eram pessoas com muito recurso financeiro, com armas proibidas, com ódio estampado na face, não contra um sujeito, mas contra Ideias, e contavam com a cumplicidade do aparelho coercitivo do Estado.
Há meses, quando tudo isto começou, não faltavam setores no governo e na sociedade para advogar que os atos puxados por “movimentos” pró-impeachment eram democráticos: seriam as inúmeras ocorrências de violência coletiva apenas excessos individuais. Agora que tais “movimentos”, sem identidade nem história, não conseguem mobilizar trinta pessoas para subsidiar o golpe intentado por Eduardo Cunha, o rei se revela nu: é quem lidera tais atos que são os proponentes da violência legitimada, do ódio de classe e preferência política. Eles refletem na sociedade civil o que intentam na política; a retirada do artigo que protegia os movimentos sociais da tipificação do crime de terrorismo por parte do relator do PSDB é um exemplo. O projeto de lei do PSDB que criminaliza a liberdade de cátedra dos docentes, outro.
Marx denunciava que as pessoas aceitam viver numa ordem desumana porque a realidade lhes aparece invertida. Em situações específicas da história, como a que estamos vivendo, isso toma contornos ainda mais intensos. O incipiente fascismo atual transforma o crime em manifestação democrática, o violento agressor em “democrata”, a vítima em “bandido”. Com a cumplicidade dos meios empresariais de comunicação e das forças coercitivas do Estado.
Por fim, gostaria de fazer um apelo. Aqueles que, como eu, têm inúmeras críticas e estão descontentes com a política do segundo mandato da presidenta, ou até mesmo os que defendem o impeachment: não se deixem envenenar. Não se deixem envenenar, porque nas ruas e no parlamento, os que lideram essa tentativa de golpe, usando dos instrumentos mais desonestos, ilegais e violentos possíveis, buscam um projeto de sociedade muito distante do  país soberano, justo e solidário que a maioria dos brasileiros compartilha.
Às dezenas de pessoas que prestaram solidariedade, minha sincera gratidão.
Daniel Valença é professor licenciado do curso de Direito, da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), onde leciona  Ciência Política, Trabalho e Ética. Está fazendo doutorado em Direitos Humanos na Universidade Federal da Paraíba (UFPB)).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

JUSTIÇA NO BRASIL? SÓ QUANDO DEIXAR DE SER ENVIESADA

Do Tijolaço

Está na hora das provas, não do “ele disse”


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O que torna absolutamente críveis as acusações contra Eduardo Cunha, feita pelos delatores Julio Camargo e Fernando Baiano Soares?

Simples, as contas na Suíça e nos EUA, fartamente documentadas.

E o que prova que Paulo Roberto Costa, Alberto Yousseff, Pedro Barusco e outros são ladrões públicos?

Claro, as contas que mantinham lá fora, cujos valores estão sendo repatriados.

O resto, as delações premiadas, têm o valor de indícios, que devem – ou não – ser comprovados materialmente.

É assim que funciona e deve funcionar.

Em algum ponto o dinheiro desemboca e é contrário ao bom-senso que gente capaz de furtar milhões e milhões de dólares  não se beneficie pessoalmente disso.

É aí, quando o dinheiro se materializa no bolso, nas contas ou nos bens de alguém que se sai do “em tese” e entra-se no campo do que vale: as provas.

Talvez provas não sejam importante nos julgamentos promovidos pelo Dr. Sérgio Moro, onde já se entra condenado, seja a muito, seja a pouco, dependendo da disposição em delatar.

Criou-se uma estranha inversão no que deveria uma investigação isenta, serena e profunda, conduzida pelo lado da lei: quem a dirige são os delatores, com suas verdades de alcaguetes, sempre “tirando do seu” e apontando outros, preferencialmente os que percebem que os condutores do processo desejam que seja inculpado.

E o paroxismo chega ao ponto de serem tratados quase como heróis, como naquela ocasião em que Paulo Roberto Costa problamou seu arrependimento e conversão, diz agora outro ladrão que com alguns milhões ocultos para sobreviver em seu novo paraíso espiritual.

Parece até que estamos num estranho “campeonato” de delações, para ver qual é a mais escandalosa e quem mais “alto” compromete, com o evidente desejo de que se chegue a Lula, mesmo que seja a custa de “uma nora” sem nome ou de algum esperto que explorasse o prestígio do ex-presidente.

É isso o que diz hoje, direto como sempre, Janio de Freitas, na Folha:
É a fase em que a prioridade dada a delações premiadas, em detrimento de investigações efetivas, vai mostrar desencontros como um problema para os juízes. Talvez não para Sergio Moro, mas para aqueles que nas instâncias superiores vão julgar recursos e para os ministros do Supremo, que conduzem os casos de políticos apontados por delatores.
Será a hora de provas. E, quem sabe, a hora da verdade. Advogados dizem haver, à espera de elucidação, numerosas incoerências de delatores e contradições entre vários deles, ou deles com empreiteiros. Para os delatores premiados também será um problema, e problema maior a falta de provas, porque a queda de afirmações suas pode fazer tribunais superiores anularem o prêmio de liberdade. Para vários deles, já se pode ver, liberdade endinheirada.

Liberdade endinherada como a que gozou, por anos, o delator Alberto Yousseff, a quem Moro deixou livre, por ser seu dedo-duro no caso Banestado, para delinquir mais
Estamos, com o império dos delatores, transformados em oráculos da verdade, mesmo sendo ladrões confessos e provados, vivendo a negação do que se quer: o crime que compensa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A ATUAÇÃO POLÍTICA DA POLÍCIA FEDERAL

Por alguma razão, talvez o fato de serem instruídas pelo Estado dominado pelos ricos, as polícias sempre tiveram amplos setores, muitas vezes majoritários, ligados aos movimentos fascistas. Isto aconteceu na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler, na Inglaterra antes da Segunda Guerra (nesta, um putsch fascista fracassou apesar desse apóio). Mais recentemente, tem havido apoio da polícia grega ao neofascista Aurora Dourada. No Brasil, além da PF, as polícias civil militar, principalmente esta última  têm uma doutrinação que não evoluiu depois do fim formal da ditadura. Encaram PT, sindicatos e movimentos sociais como "inimigo interno", igualzinho a quando vigia a Lei de Segurança Nacional dos militares, transpirada pelos patrões da grande república do norte.

Mais uma vez a pergunta: Onde está a ação do chefe da PF, o pequeno ministro Cardozo?


Cúpula da PF decide que “organograma” do grampo a Youssef “não vem ao caso”?

aulerorganograma

O repórter Marcelo Auler, com o zelo e a honradez que um bom profissional deve ter, desculpou-se ontem em seu blog por não ter registrado na matéria que publicou este final de semana na CartaCapital  a  resposta que pediu à  Polícia Federal sobre a investigação das 100 horas de gravação obtidas com a escuta instalada na cela do doleiro Alberto Youssef.

É que a resposta chegou após ele ter enviado a matéria à revista e como nós, trabalhadores solitários, por vezes conseguimos nos descolar por poucas horas do computador, só a viu quando a revista já estava impressa. Não teria maior significado, porque a PF não dá resposta alguma sobre as fitas, alegando que “a sindicância (…) encontra-se em andamento em segredo” e que, portanto, não pode informar nada.

Não pode informar nada? Ou só o que esteja de acordo com os interesses do grupo de delegados da Lava Jato acusados de produzir o “grampo” ilegal.

Como sou leitor atento do que Marcelo escreve, sempre com profusão de documentos, fui ler o e-mail que Auler enviou à PF  e a resposta da instituição, publicada em sua página oficial na internet.

E, incrível, a Polícia Federal  responde ao que o repórter não perguntou ou sequer mencionou em seu e-mail.

Explico: Auler não fez qualquer menção, em seu pedido, sobre o organograma feito pelo chefe da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado do Paraná, Igor Romário de Paula, que é mencionado no depoimento do delegado Mario Henrique Castanheira Fanton, que acusa os colegas de terem plantado a escuta na cela de Alberto Youssef.

No seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, gravado em vídeo, Fanton diz que “o delegado Igor, um certo momento, depois que eu colhi o depoimento da Nelma ( Kodama, a doleira), ele fez um organograma criminoso de todas as pessoas que estariam por trás desta investigação do 737 para poder macular  a imagem da Operação Lava Jaro; E ali ele colocou várias pessoas que não fazia nenhum sentido para mim, porque não tinha nenhuma prova, nenhum indício material de prova contra aquelas pessoas. Ele começou a sugerir nomes ali  – e ele fez isso de maneira manuscrita  – e que comprometia as pessoas”.

E, em depoimento à CPI da Petrobras, ainda mais explicito, dizendo que organograma lhe foi entregue pelo Igor, com a recomendação: “Estas são as pessoas envolvidas  na possível confecção de um dossiê, as pessoas que você deve investigar”.

É de supor, portanto, que o organograma é prova – seja verdadeiro ou não – invocada em depoimento e entregue aos sindicantes da Polícia Federal.

Marcelo observa, cautelosamente, que “é curioso” que a “resposta da PF a uma pergunta que não fez” seja a de que “o hipotético organograma” em questão não “pertence a nenhum inquérito policial ou procedimento administrativo” . Mais ainda, que o “desenho” – sem definição da autoria – revela, na verdade “relacionamentos pessoais e profissionais existentes no Paraná”  e que  “não há nenhum indicativo de que esse quadro de relações caracterize uma organização criminosa”

De fato, duas perguntas saltam aos olhos.

Primeiro, de onde a direção da Polícia Federal tirou a “resposta” a pergunta que não foi feita senão no e-mail enviado por Auler ao próprio Delegado Igor de Paula, no mesmo dia.

É o que Auler, pacientemente, registra:

“Por imaginar que esta questão ainda está sendo investigada pela Corregedoria Geral em Brasília, o  questionamento sobre um  organograma de pessoas que supostamente estariam montando um dossiê contra a Lava Jato,  revelação que a matéria da revista apresenta, não foi dirigido à Comunicação Social do DPF. Foi feito, mais cedo, ao delegado Igor Romário de Paula, chefe da Delegacia  Regional de Combate ao Crime Organizado, por constar que o diagrama foi de sua autoria.”

Estamos diante de um fato gravíssimo, agora envolvendo a direção da PF, que  responde em nome de uma das partes da investigação que está realizando? Comunica-se com ela e dá a sua versão como sendo a da instituição? Decide que uma prova mencionada em depoimento oficial não deva fazer parte de “nenhum inquérito policial ou procedimento administrativo”? Suprime provas, portanto? Quem decidiu que o documento reproduzido na revista, sem perícia ou contestação de que tenha sido produzido por quem se diz que produziu “não vem ao caso” nos procedimentos apuratórios?

O que se extrai da matéria e, sobretudo, do post de Marcelo Auler sobre o caso da “resposta da PF” é que a operação-abafa sobre a escuta não apenas continua como está, deliberada ou involuntariamente que seja, contando com a cobertura da alta cúpula da instituição.

A possibilidade – a esta altura já uma certeza – de que se instalou um grampo ilegal em plena carceragem de uma unidade da Polícia Federal não é um detalhe, é um crime.

E se a polícia é leniente com os crimes que acontecem dentro de suas dependências, praticados, em tese, por seus servidores, vai-se esperar que ela seja rigorosa, isenta e imparcial em relação aos outros?


ATENÇÃO, PAIS!

Do Diário do Centro do Mundo



“O vício em smartphones está criando uma geração de crianças doentes e infelizes



smartphone
Publicado na DW:

De manhã à noite, muitos passam o dia acompanhados por seus smartphones. Isso pode ser prejudicial? Sim, diz Alexander Markowetz, autor do livro Digitaler Burnout (“Burnout digital”) e professor assistente no Departamento de Ciências da Computação na Universidade de Bonn.
Ele apela para que a sociedade adote uma nova relação com o telefone celular para proteger as gerações futuras. A começar da escola, passando pela família e amigos, e indo até as grandes empresas
Deutsche Welle: Parece haver uma simbiose, uma relação quase romântica entre os usuários e o telefone celular. Ele os acompanha durante todo o dia, lembra de datas importantes, cuida da alimentação e do exercício. Na cama, à noite, o último clique do dia é no celular. Quão prejudicial pode ser esse comportamento?
Alexander Markowetz: O smartphone possui muitas funções que tornam nossa vida melhor. Sem minha agenda eletrônica pessoal, eu estaria totalmente perdido. Só precisamos aprender a lidar com o aparelho. Passamos sete minutos por dia telefonando e duas horas e meia interagindo com o celular. Isso dá uma média de 55 inicializações diárias, ou seja: ligar, logar e digitar. Cerca de 10% das pessoas fazem isso mais de 90 vezes por dia. Mas o nosso dia não pode ter tantas grandes escolhas assim, envolvendo esse longo processo racional. Portanto trata-se de pequenos automatismos inconscientes. É provável que só controlemos conscientemente 10% do nosso comportamento com o celular. Portanto, de oito horas ativas por dia, ele ocupa um terço.
É ruim gastar duas horas e meia com esse tipo de diversão, jogando tempo fora?
O problema não são as duas horas e meia, mas o número de interrupções: a cada 18 minutos faço alguma coisa no celular. Interrupções podem vir também de outros meios de comunicação, como chamadas telefônicas, mensagem de texto ou a TV. Em suma, nós nos interrompemos constantemente com um sistema multitarefa autoimposto, vivenciamos uma fragmentação do nosso dia. Nós, seres humanos, ainda não fomos criados para a multitarefa, e dirigimos alternadamente a nossa consciência a diferentes atividades. Quando surge o tédio, mudamos de ocupação. Com o tempo, isso causa estresse. Nós perdemos produtividade e sentimento de satisfação, pois não conseguimos entrar num fluxo de trabalho.
Quais são as consequências de uma concentração constantemente interrompida?

Um exemplo: na ioga, adotamos uma postura correta e tentamos nos concentrar. Se fizéssemos meia hora de ioga todos os dias, em sete anos seríamos pessoas relaxadas. Com os smartphones, porém, ficamos numa postura absurdamente incorreta, do ponto de vista ortopédico, e queremos nos distrair mentalmente o mais rápido possível. Assim, fazemos “anti-ioga” duas horas e meia por dia. Ficamos estressados e deprimidos, e a nossa atenção se esfacela. Que efeito, exatamente, isso terá em nossa sociedade nos próximos anos, ainda não foi cientificamente estudado, até porque os smartphones não estão há tanto tempo no mercado.

Além disso, faltam as “minipausas” compulsórias no nosso dia a dia – a espera pelo ônibus ou por um compromisso. Nós abolimos esse “tempo morto”, mesmo ele nos ajudando a descansar por alguns instantes. Esses momentos são centrais na terapia de estresse e depressão. Nela pratica-se o estado de alerta, ou seja, um método que ensina passividade positiva.

Temos que evitar interrupções. O problema está em nós e em nosso ambiente. Precisamos reconhecer e reduzir o nosso comportamento. Pessoalmente, ajuda uma “dieta digital”. A fim de nos interrompermos menos precisamos de uma “etiqueta de comunicação”. Para uma dieta digital, eu preciso mudar os meus hábitos, me condicionando e moldando o meu entorno para que ele me desvie do celular. Por exemplo: olhar as horas no relógio de pulso, em vez de ligar o telefone para isso.

Como estabelecer uma “etiqueta da comunicação”?

O ser humano não é autossuficiente e não pode decidir por si quantas vezes é interrompido por comunicações externas. Esse é um problema social e cultural. Temos que começar a ter consideração mútua. Precisamos saber que cada um assume a responsabilidade pela saúde mental do próximo. Cada um deve refletir conscientemente quando a comunicação serve a um propósito. É melhor escrevermos um e-mail longo do que ficar enviando mensagens curtas.

As crianças aprendiam a não telefonar para ninguém após as oito da noite. E tampouco entre o meio-dia e as 15h00, que é a hora do almoço. Essa etiqueta se perdeu, mas precisamos retomá-la. Começando na nossa família e entre amigos e indo até as grandes empresas. Ninguém pode resolver essa questão sozinho, só podemos abordá-la num pequeno círculo. Dos nossos contatos, 80% são com um máximo de cinco pessoas. Se cultivarmos aí uma etiqueta da comunicação, já é um começo.

Se os adolescentes fazem duas horas e meia diárias de “anti-ioga”, então será uma geração bastante depressiva e improdutiva, sofrendo de falta de concentração. O que os pais podem fazer contra isso?

O problema central é que os jovens não têm experiência offline. Se hoje um jovem de 15 anos é obrigado a se desconectar, seu mundo desaba. Ele não pode perder nada. Quer dizer, teriam que acontecer coisas realmente importantes a cada 15 minutos. Mas, se ele perceber que, depois desse espaço de tempo, o mundo continua existindo, já seria um avanço. Na psicoterapia, isso é chamado de “terapia de exposição”. Já poderíamos começar na escola, ensinando a dieta digital e a etiqueta da comunicação como técnicas culturais. O problema é que ainda não sabemos as respostas definitivas.

As crianças veem os smartphones como algo natural, crescem com eles e aprendem vendo o nosso comportamento. Como podemos transmitir a elas esse “livro de etiqueta do celular”?

Os pais podem combinar dentro das classes e estabelecer, por exemplo, que depois das 20h00 todos recolhem os telefones celulares. Então estará claro para toda criança que não vai haver “festa do Whatsapp”. Mesmo que ela quisesse roubar o celular dos pais, não haveria ninguém com quem conversar. Deve se criar uma cultura que impeça as crianças de se fazerem mutuamente doentes e infelizes.

O BRASIL NÃO É QUINTAL DOS ESTADOS UNIDOS. NÃO É QUINTAL

De Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Queremos ser uma republiqueta ou grande país? Por Paulo Nogueira

Clap, clap, clap: Barroso brilhou
Clap, clap, clap: Barroso brilhou
Fiquei ressabiado quando vi que Luís Roberto Barroso tinha sido nomeado para o STF.
Pensei em Fux, em Barbosa.
E sabia que que Barroso tinha sido advogado da Abert, a associação de emissoras de tevê que funciona, a rigor, como o lobby da Globo.
Nesta função, ele assinou no Globo um artigo em que defendia a reserva de mercado da mídia com argumentos ridículos.
Um deles é que os chineses poderiam comprar uma emissora e, com ela, fazer propaganda do maoísmo.
Outro argumento invocado por Barroso afirmava que as novelas são um patrimônio cultural brasileiro.
Bem, tudo isto posto, o fato é que, no STF, Barroso logo se destacou como uma das vozes da razão e do progressismo.
Num determinado momento, quando Barbosa sob os aplausos da mídia cometia barbaridades, ele destacou seu “déficit civilizatório”, e a partir dessa bofetada moral o então presidente do STF jamais foi o mesmo.
E agora Barroso, na hora certa, se manifesta com enorme propriedade.
Ele definiu com precisão o impasse em que o país está já há um bom tempo atolado. Precisamente, desde que foram conhecidos os resultados das eleições, com a derrota jamais aceita de Aécio.
Temos que decidir se somos uma grande nação ou uma “republiqueta”, disse Barroso.
Clap, clap, clap. De pé.
Republiqueta é onde não se respeitam os votos. Onde tipos como Eduardo Cunha acham que podem barbarizar uma vida inteira sem consequências. Onde derrotados em eleições buscam pateticamente pretextos para obliterar a vontade popular.
Republiqueta é onde a imprensa dá ensurdecedora voz a golpistas como Aécio e FHC, e a corruptos como Cunha enquanto são úteis.
Republiqueta, em suma, é o que a plutocracia que tomou de assalto o Brasil gostaria que fôssemos sempre, porque assim suas mamatas e privilégios ficariam eternizados.
Foram estas mamatas e privilégios – tudo à base do dinheiro público – que fizeram do Brasil um dos símbolos mundiais da desigualdade social.
Dinheiro público que deveria construir escolas, hospitais, casas populares foi ao longo dos tempos dar na conta de um pequeno grupo de predadores.
Qual a família mais rica do Brasil? A família Marinho. De onde vem sua fortuna? Do dinheiro público.
Isto conta tudo.
Para a plutocracia, interessa que permaneçamos uma republiqueta. Claro.
Mas e para a sociedade como um todo?
Queremos ser uma republiqueta ou uma nação socialmente avançada e internacionalmente admirada como a Escandinávia pela qual tanto se bate o DCM?
Estes dois projetos de Brasil se enfrentam hoje.
A republiqueta está reunida em torno de Eduardo Cunha e de golpistas reacionários como Aécio e FHC, e a palavra mágica para eles é impeachment.
Queremos um país com as feições de Eduardo Cunha?
Barroso foi ao ponto.
Temos que escolher entre a republiqueta e uma nação moderna.
E não podemos deixar que um pequeníssimo grupo de privilegiados rapinadores – os plutocratas – decida por nós.
Porque eles escolherão o atraso, do qual sempre se beneficiaram.
É o que convém a eles. Mas não ao Brasil.